• Sandra Carvalho

Chitas marcham para extinção com tráfico de filhotes

A temporada de roubo de animais recém-nascidos está no auge no Chifre da África.


Filhotes de chita
Filhotes de chita: as ninhadas costumam variar de um a seis filhotes | Foto: CCF

As chitas, os animais mais rápidos da face da terra, estão ameaçadas de extinção, rotuladas de vulneráveis pela Lista Vermelha. Restam menos de 7.500 animais da espécie na natureza. São os felinos em maior risco na África.


Conhecidas também como guepardos, as chitas (Acinonyx jubatus) são capazes de alcançar uma velocidade de 110 km/h em apenas 3 segundos, com passadas de até 7 metros. Mas isso de pouco adianta em relação a uma ameaça terrível: a caça ilegal de seus filhotes.


Em novembro, estamos no auge da temporada de roubo de filhotes de chitas na República da Somalilândia, no Chifre da África. Os animais recém-nascidos são caçados para serem vendidos como pets no Oriente Médio. Alguns poucos são resgatados.


Filhote de chita
Filhote de chita resgatado: maltratos durante o transporte ilegal | Foto: CCF

O Fundo de Conservação da Chita (#CCF, na sigla em inglês) estima que aproximadamente 300 filhotes são capturados na natureza no Chifre da África e comercializados todos os anos na Península Arábica. O risco de extinção local da espécie é alto.


Segundo o CCF, três em cada quatro filhotes não sobrevivem à viagem para se tornarem animais de estimação. Dos que conseguem escapar da morte nesta etapa, a maioria não vive mais do que dois anos.


Filhotes de chita
Filhotes em recuperação no CCF: fórmula láctea para substituir o leite materno e carne de cabra | Foto: CCF

Os filhotes não estão a salvo sequer em áreas protegidas. Nelas a ameaça não é humana - nas reservas, há uma concentração maior de grandes predadores. Ali a mortalidade dos filhotes chega a 90%, de acordo com o CCF.


Adultas, as chitas chegam a até 1,5 metro, pesando até perto de 60 quilos. Costumam viver entre 10 e 12 anos na natureza - a média para machos é menor, de oito anos, devido a conflitos territoriais com outros machos.


Hoje a espécie vive num habitat fragmentado e degradado. Nas proximidades de fazendas, pode atacar animais de criação, embora prefira presas selvagens, e se torna alvo de alvo dos tiros humanos.


O maior número de animais se concentra na #Namíbia, onde a chita é uma espécie protegida.


Chita correndo
Chita correndo na Namíbia: um show de velocidade com o corpo estreito e leve | Foto: CCF

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