• Sandra Carvalho

Cientistas criam mosquito transgênico sem asas e com 3 olhos

Estão mexendo no genoma dos insetos, alterando sequências de DNA.

Mosquitos: edição de genes para combater dengue e zika | Foto: Universidade da Califórnia em Riverside

Tem cada vez mais cientistas brincando de deus nos laboratórios. Mexendo no DNA dos insetos, eles acabam de criar um mosquito-monstro. Amarelo, sem asas, com três olhos.


Brincadeira de cientistas malucos? Nada disso. É apenas um passo de uma pesquisa de entomologistas da Universidade da Califórnia em Riverside para levar os mosquitos que transmitem doenças infecciosas a se autodestruírem.


Os pesquisadores estão mexendo no genoma dos mosquitos com a tecnologia de edição de genes CRISPR e a enzima Cas9 - um dos caminhos mais promissores, e também polêmicos, da engenharia genética.


Mosquitos com 3 olhos (Ce) e 3 palpos maxiliares (Mp) | Imagem: Universidade da Califórnia em Riverside

O sistema CRISPR funciona como se fosse uma tesoura, cortando e substituindo sequências de DNA. Nesse estudo, os cientistas detonaram os genes que controlam a visão (daí os três olhos), o voo (daí os mosquitos sem asas) e a alimentação dos insetos.


A longo prazo, os pesquisadores pretendem usar a linha germinal Cas9 para adotar uma outra tecnologia - condutores de gene - para inserir e espalhar genes que façam os insetos desaparecerem da face da terra sem resistência.


Um alvo importante da pesquisa é o Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika, febre amarela e chikungunya, cada vez mais resistente aos pesticidas.


Os pesquisadores dizem ter conseguido desenvolver rapidamente modificações no genoma dos mosquitos, o que vai permitir um avanço mais acelerado da estratégia de combater os insetos.


A estratégia de editar o genoma dos mosquitos para impedir que eles espalhem doenças já foi tentada antes, mas sem muito sucesso.


Os problemas: baixa taxa de mutações, pouca sobrevivência dos mosquitos com genes editados, transmissão precária desses genes às novas gerações de mosquitos.


Segundo o entomólogo Omar Akbari, líder do estudo, o uso de condutores de genes permitirá que a transmissão dos genes com mutações para as novas gerações de insetos suba de 50% para 99%

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O paper foi publicado na terça-feira no jornal PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.


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