• Sandra Carvalho

Cientistas livram DNA de porcos de vírus e tornam viável implante de seus órgãos em humanos

A façanha é de uma startup especializada em transplantes entre espécies diferentes.



Cientistas da empresa de biotecnologia eGenesis editaram genes de porcos e desativaram uma família de retrovírus congênita, tornando possível futuros implantes de órgãos dos animais em humanos.


A eGenesis é uma empresa americana de Cambridge, Massachusetts, especializada em xenotransplantes, isto é, transplantes entre espécies diferentes.


Porcos têm retrovírus endógenos (PERVs, na sigla em inglês) que se transmitem a células humanas. Pela primeira vez, esses retrovírus foram removidos de porcos vivos.


Embriões com com os genes editados deram origem a filhotes de porcos sem os retrovírus, e alguns deles viveram até quatro meses depois do nascimento, segundo a equipe da pesquisa.


É um passo importante para implantes dos órgãos de porcos em humanos, aliviando a fila dos transplantes de órgãos.


Cientistas chineses


Todos os cientistas que assinam a pesquisa da eGenesis têm nome chinês. Eles são ligados a várias universidades chinesas, à americana Harvard e à dinamarquesa Aarhus (AU).


Seu estudo foi publicado ontem na revista Science. Os cientistas usaram a tecnologia CRISPR para extirpar 25 retrovírus no genoma de células. Todos os retrovírus foram desativados, segundo comunicado da Associação Americana para o Avanço da Ciência.


CRISPR, uma tecnologia ainda considerada polémica, é definida pela eGenesis como uma ferramenta de edição de genoma que pode selecionar e deletar, modificar ou corrigir uma doença num segmento específico do DNA.


"Nosso time vai desenvolver mais a linha de porcos livres dos retrovírus para garantir xenotransplantes seguros e efetivos", afirmou Luhan Yan, cofundadora e principal executiva de ciência da eGenesis, num comunicado da empresa.


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