• Sandra Carvalho

Cientistas revivem micróbios de 101 milhões de anos

Os micróbios estavam jejuando no fundo do Oceano Pacífico todo esse tempo.


Microbiologistas
Microbiogistas lidam com as amostras de sedimentados no navio Joides Resolution | Foto: IODP-JRSO

Micróbios da era dos dinossauros ganharam uma nova vida nas mãos de cientistas da Agência de Ciência e Tecnologia do Mar e da Terra do Japão (Jamstec).


Os micróbios passaram 100 milhões de anos adormecidos no Pacífico Sul, sem qualquer tipo de nutriente. Foram revividos em laboratório com substratos de carbono e nitrogênio e despertaram prontos para se multiplicar.


Os micróbios foram resgatados de sedimentos 100 metros abaixo do fundo do mar e 6000 metros abaixo da superfície do oceano com o navio de pesquisa Joides Resolution.


Os sedimentos tinham oxigênio em todas as suas camadas, o que sugere que se acumularam bem lentamente, algo como um metro ou dois a cada milhão de anos.


Nessas condições, microorganismos aeróbicos, que precisam de oxigênio para viver, podem subsistir por milhões de anos, gastando muito pouca energia.


"Nos queríamos saber se se existia vida num ambiente tão limitado de nutrientes" observou o microbiologista Yuki Morono, da Jamstec, e principal autor do estudo. "E queríamos saber quanto tempo micróbios poderiam se manter vivos numa ausência quase completa de alimento."


Bem, pelos resultados do estudo, muito tempo. Veja o que disse Morono: "No começo eu estava cético, mas descobrimos que até 99,1% dos micróbios em sedimentos depositados 101,5 milhões de anos atrás ainda estavam vivos e prontos para comer."


O estudo foi publicado no jornal Nature Communications. Em laboratório, os microbiologistas examinaram quase 7 mil células e verificaram que as bactérias predominavam entre os micróbios.


As bactérias mais presentes: Actinobacteria, Bacteroidetes, Firmicutes, Alphaproteobacteria, Betaproteobacteria, Gammaproteobacteria, and Deltaproteobacteria.


"Manter plena capacidade fisiológica por 100 milhões de anos em isolamento e passando fome é um feito impressionante", comentou o oceanógrafo Steven D'Hondt, professor da Universidade de Rhode Island (URI) e um dos autores do estudo, à agência Reuters.


Micróbios
Amostras com os micróbios | Imagem: Jamstec
Células microbianas
Células microbianas altamente purificadas, prontas para análise | Imagem: Jamestec

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