• Sandra Carvalho

Cocô de bebês tem mais microplástico que de adultos

Pesquisadores da NYU mostraram que a quantidade de PET é 10 vezes maior.


Bebês deitados
Bebês: tanto policarbonato quanto os adultos | Foto: cc0 Lingchor /Unsplash

Num planeta tomado pelo plástico, nem os bebês escapam. Três cientistas da Universidade de Nova York verificaram que bebês de até um ano de idade já têm mais polietileno tereftalato (PET) no cocô do que adultos.


Num estudo piloto, eles mediram os microplásticos, aqueles pedacinhos minúsculos de plástico, de menos de 5 milímetros, frequentemente invisíveis a olho nu, em amostras de cocô de seis bebês e dez adultos do estado de Nova York.


Também examinaram o mecônio, as primeiras fezes de um bebê, em três amostras adicionais.


Procuraram dois microplásticos muito comuns - o polietileno tereftalato (#PET), usado nas garrafas de plástico, e o policarbonato (#PC), empregado em óculos, equipamentos médicos, carros, iluminacão...


Em todas as amostras se encontrou pelo menos um desses dois microplásticos.


A presença de PC verificada foi semelhante no caso de bebês e adultos. Mas a de PET foi 10 vezes maior no cocô dos bebês.


O estudo foi divulgado pela Sociedade Americana de Química (#ACS) e publicado no periódico Environmental Science & Technology Letters.

Os pesquisadores da #NYU observaram que os bebês são bastante expostos a plástico em mamadeiras, mordedores, móbiles e brinquedos em geral, mas disseram que é preciso estudar mais o assunto para chegar a conclusões definitivas.


Até hoje não se sabe quais são as consequências dos microplásticos no corpo humano. Inicialmente se pensou que eles não faziam mal algum, por sair normalmente pelo trato intestinal.


Mas os pesquisadores da NYU lembram que novos estudos sugerem que os microplásticos podem atravessar as células e entrar na circulação.


Em experimentos feitos em laboratório com células e com animais, os microplásticos podem causar inflamação, distúrbios metabólicos e até morte celular.


Veja mais: Microplásticos mudam células dos peixes