• Sandra Carvalho

Cocô de pássaros urbanos esconde um perigo

Eles estão cheios de genes resistentes a antibióticos.


Corvo: um dos pássaros mais adaptados às cidades | Foto: cc9 Qurratul Ayn Sadia/Unsplash

Há tempos se sabe que pássaros podem transmitir genes e bactérias resistentes a antibióticos para humanos de várias formas - pela água e pelo solo contaminados, pelo contato direto com o cocô dos animais, e até pelo ar, através da inalação de partículas das fezes contidas em aerossóis.


Engenheiros ambientais da Universidade Rice, de Houston, Texas, acabam de mostrar como os riscos vão longe, dissecando o cocô de patos selvagens, corvos e gaivotas urbanos. Seu estudo foi publicado no jornal Environmental Pollution.


Eles compararam amostras de fezes das três espécies encontradas em Houston com as de animais de fazendas, frangos de granjas e gado. Os pássaros urbanos e os outros animais compartilhavam algumas mutações.


Os pesquisadores encontraram genes resistentes aos antibióticos em todas as as espécies de pássaros, com resistência significativa a tetraciclina, antibióticos beta-lactâmicos como a penicilina e do grupo das sulfonamidas.


A abundância de genes resistentes a antibióticos nos pássaros urbanos foi comparável à quantidade encontrada nos frangos das fazendas que tinham sido alimentados ocasionalmente com antibióticos.


Os pássaros estudados: com patógenos oportunistas | Foto: Universidade Rice

Eles também encontram mecanismos genéticos que facilitam às bactérias adquirirem resistência aos antibióticos rapidamente. Esses mecanismos estavam 5 vezes mais presentes nos pássaros urbanos que nos animais de fazenda.


Os pesquisadores se depararam com patógenos oportunistas no cocô de todas as aves, inclusive bactérias que causam sepse e infecções urinárias e respiratórias.


"Os resultados mostram que os pássaros urbanos selvagens são um reservatório subestimado mas potencialmente importante de genes de resistência antimicrobiana", observou Pedro Alvarez, co-autor do estudo.


O estudo sugere que esses pássaros podem transmitir infecções resistentes a antibióticos a humanos. Mas diz que, se isso é possível, também é improvável, pela baixa frequência de contatos entre humanos e esses pássaros.


Entre as aves estudadas, o corvo foi o que menos apresentou genes resistentes aos antibióticos. "Corvos são onívoros e se alimentam de alimentos naturais abundantes, com menos contato antropogênico no verão", explicou Ruonan Sun, outro dos autores do estudo.


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