• ONU News

Como digerir a sopa de letras da COP26

Você conhece os ODSs de seu NDC?


Glasgow
Glasgow, onde a COP26 acontece | Foto: cc0 Giorgio Trovato/Unplash

Se você segue as Nações Unidas, percebe rapidamente a quantidade de acrônimos e jargões usados em toda a organização.


Mas há muito mais para confundir na COP26, a começar pelo próprio nome da conferência. Este guia da ONU News ajuda a compreender algumas das palavras chave que serão mais usadas nas próximas semanas.


COP26


Vamos começar com o nome do evento em si, COP26. Em termos mais simples, é a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, mas oficialmente é a 26ª Conferência das Partes (ou COP) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, UNFCCC.


A UNFCC foi criada após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992. O evento também ficou conhecido como a Cúpula da Terra.


O objetivo declarado pela UNFCC era reduzir os gases de efeito estufa, a fim de prevenir as ameaçadoras mudanças climáticas causadas pelos humanos.


As Conferências das Partes da Convenção, ou COPs, são os nomes das reuniões formais que acontecem todos os anos desde 1995, exceto em 2020: a pandemia ditou o adiamento da COP26 por um ano.


ODSs


Existem 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ou ODSs, interligados. O foco da agenda global é abordar os desafios atuais, que vão desde o acesso à energia limpa até a redução da pobreza e um consumo responsável.


Em conjunto, os ODSs compõem a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a estratégia da ONU para promover a paz e a prosperidade para as pessoas e o planeta.


Está se tornando cada vez mais claro que a mudança climática tem influência em muitos, senão em todos os ODSs, e que será impossível alcançar a Agenda 2030 sem fazer incursões sérias no combate ao problema.


NDC


A sigla NDC significa Contribuição Nacionalmente Determinada, o plano detalhado do que se espera que cada país faça, a fim de reduzir a quantidade dos gases de efeito estufa que emite.


Praticamente todas as nações concordaram em realizar esses planos em 2015 na COP21 em Paris, no que ficou conhecido como o Acordo de Paris.


No entanto, esses anúncios não foram suficientes para manter o aquecimento global a menos de 2 °C acima dos níveis pré-industriais, de modo que este ano os países precisam voltar à mesa de negociações com novos e aprimorados compromissos. Resta saber se isso será suficiente.


Emissão líquida zero


Simplificando, emissão líquida zero ou “net zero” significa baixar as novas emissões o mais próximo possível de zero, através de um movimento em direção à economia verde e a energia renovável limpa, com as emissões remanescentes reabsorvidas, sem esquecer oceanos e florestas.


Praticamente todos os países aderiram ao Acordo de Paris sobre Mudança Climática, que prevê a manutenção da temperatura global em 1,5 °C acima dos níveis da era pré-industrial.


Se o atual ritmo de emissões que causam a mudança climática continuar, no entanto, as temperaturas seguirão subindo bem além de 1,5 °C, a níveis que ameaçam a vida e o sustento dos habitantes do planeta.


É por isso que cresce o número de países assumindo compromissos para alcançar a neutralidade de carbono, ou emissões "net zero" nas próximas décadas. É uma grande tarefa exigindo ações ambiciosas a partir de agora.


1,5 Cº


Vai se ouvir muito sobre “a meta de 1,5 grau Celsius” durante a COP.


Em um relatório da ONU de 2018, milhares de cientistas e analistas governamentais concordaram que limitar o aumento da temperatura global a não mais que 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais ajudaria a humanidade a evitar os piores impactos climáticos e a manter um clima habitável.


Os dados mais recentes revelam que o mundo aqueceu entre 1,06 a 1,26 ° C acima dos níveis pré-industriais (entre 1850-1900). O caminho atual das emissões de dióxido de carbono, CO2, pode aumentar as temperaturas globais em até 4,4 ° C até o final do século.


Esse aquecimento levaria a uma “catástrofe climática”, como alertou o secretário-geral da ONU. O efeito é “um possível colapso dos ecossistemas e da vida tal como a conhecemos hoje”.


IPCC


O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, #IPCC, é o órgão das Nações Unidas para avaliar a ciência relacionada à mudança climática.


Criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma (UNEP em inglês) , o objetivo do IPCC é fornecer aos governos em todos os níveis informações científicas que possam usar para desenvolver políticas climáticas.


As publicações do IPCC também são uma contribuição importante para as negociações internacionais sobre mudança climática que acontecerão durante a COP26.


Um relatório importante publicado em agosto mostrou que a menos que haja reducões rápidas, sustentadas e em larga escala de gases de efeito estufa, incluindo CO2, #metano e outros, a meta de limitar o aquecimento global a 1,5ºC será inalcançável.


SIDS


Os pequenos Estados insulares em desenvolvimento são um grupo distinto de 58 nações-ilha que são altamente vulneráveis ​​e frequentemente afetadas por eventos extremos e mudanças do clima, incluindo o aumento da severidade de ciclones, tempestades, chuvas fortes, secas, aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos.


Durante a última semana de alto nível da Assembleia Geral, os líderes da #SIDS – Fiji, Tuvalu e Maldivas – ocuparam o centro do palco, dizendo que suas nações estão enfrentando uma ameaça a sua existência se os países ricos não cumprirem suas promessas de mudar a tendência no aquecimento global.


Finanças climáticas


Em termos gerais, o financiamento do clima se refere ao dinheiro que precisa ser gasto em uma ampla gama de atividades que contribuirão para desacelerar a mudança climática e que ajudarão o mundo a se adaptar e se fortalecer para enfrentar o impacto da mudança de clima que já está ocorrendo.


Pode envolver financiamento local, nacional ou transnacional, que pode ser obtido de fontes de financiamento públicas, privadas e alternativas.


O financiamento do clima é fundamental para lidar com a mudança climática, porque investimentos em grande escala são necessários para reduzir significativamente as emissões, principalmente em setores que emitem grandes quantidades de gases de efeito estufa.

Em 2009, durante a COP15 em Copenhague, as nações ricas prometeram levantar US$ 100 bilhões por ano para as nações menos ricas até 2020 para ajudá-las a se adaptar às mudanças climáticas e mitigar novos aumentos de temperatura.


A promessa ainda não foi cumprida e, portanto, o financiamento do clima será um dos maiores temas de discussão durante a COP26.


ESG


Ligado ao financiamento do clima está o ESG, que significa investimento ambiental, social e de governança, também conhecido como investimento sustentável.


O investimento sustentável é promovido pela Associação de Princípios para Investimento Responsável, PRI, um órgão apoiado pela ONU que visa criar mercados sustentáveis ​​que contribuam para um mundo próspero para todos.


Um dos objetivos da COP26 é trazer mais empresas a bordo do ESG e acelerar a transição para uma economia global mais justa.


SBTI


Significa a Iniciativa Alvo Baseada na Ciência, apoiada pela ONU. As empresas que aderem à iniciativa estabelecem metas de redução de emissões com base científica, o que as deixam mais bem equipadas para enfrentar as mudanças climáticas e as tornam mais competitivas na transição para uma economia com zero emissões.


O estabelecimento de metas com base na ciência tornou-se uma prática comercial padrão e as empresas estão desempenhando um papel importante na redução das emissões globais de gases de efeito estufa e no apoio à implementação dos compromissos de seus países.


Soluções baseadas na natureza


Soluções baseadas na natureza são ações para proteger, gerenciar de forma sustentável e restaurar ecossistemas naturais e modificados que abordam os desafios sociais de forma eficaz e adaptativa, proporcionando simultaneamente benefícios ao bem-estar humano e à biodiversidade.


As Soluções Baseadas na Natureza são uma parte essencial do esforço global para atingir os objetivos do Acordo de Paris sobre Mudança Climática: são um complemento vital para a descarbonização, reduzindo os riscos da mudança climática e estabelecendo sociedades resilientes ao clima.


Os exemplos incluem programas de plantio de árvores em grande escala, que absorvem carbono e fornecem proteção contra chuvas intensas, e reconstrução de manguezais, que fornecem barreiras naturais eficazes e baratas contra inundações costeiras e erosão da costa.


G20


O Grupo dos 20 é um fórum intergovernamental que compreende as maiores economias do mundo: 19 nações e a União Europeia.


O grupo trabalha para abordar as principais questões relacionadas à economia global, como estabilidade financeira internacional, mitigação da mudança climática e desenvolvimento sustentável.


O secretário-geral da ONU deixou claro que a ação climática deve ser liderada pelos países do G20, que coletivamente respondem por cerca de 90% do produto bruto mundial, 75-80% do comércio internacional e dois terços da população mundial.


O compromisso do grupo durante a COP26 é crucial para conter os gases de efeito estufa e conter as mudanças climáticas.


AGN


O Grupo Africano de Negociadores sobre Mudanças Climáticas (AGN) foi estabelecido na COP1 em Berlim, Alemanha, em 1995, como uma aliança de Estados-membros africanos que representam os interesses da região nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas, com uma voz comum e unificada.


AACG


Fora das negociações intergovernamentais formais, países, cidades e regiões, empresas e membros da sociedade civil em todo o mundo já estão tomando medidas para o clima.


A Agenda de Ação Climática Global, AACG, iniciada sob o nome de Agenda de Ação Clima Paris, foi lançada para estimular uma ação climática rápida, impulsionar a cooperação entre governos, autoridades locais, comunidade empresarial, investidores e sociedade civil, e para apoiar a adoção e implementação do Acordo de Paris.


A AACG catalisou ações e compromissos de múltiplas partes interessadas sem precedentes para construir sociedades resilientes e sustentáveis ​​em níveis local, regional e global.


A iniciativa atualmente é composta por 77 coalizões, envolve mais de 7 mil cidades e governos locais e 2 mil empresas do setor privado de mais de 180 países e ajuda a implementar ações inovadoras e sustentáveis ​​em todo o mundo. ✔︎


Esse texto é da ONU News. Você pode ler as versões originais em português ou em inglês.


Veja mais: A Terra está sob pressão extrema