• Sandra Carvalho

Como o morcego hospeda coronavírus sem ficar doente?

Cientistas da Universidade de Saskatchewan tentam explicar essa superimunidade.


Morcegos-marrons-grandes: resistentes ao coronavírus da MERS | Foto: cc Connor Long/Wikimedia Commons

Quando os cientistas buscam a origem da Covid-19, da SARS e da MERS, acabam dando com os morcegos, considerados os hospedeiros iniciais dos coronavírus que causam essas doenças.


Como os morcegos conseguem sobreviver com os diferentes coronavírus, sem ficar doentes?


Procurando essa resposta, cientistas da universidade canadense de Saskatchewan (USask) investigaram a relação entre os morcegos e a MERS, a síndrome respiratória do Oriente Médio, que emergiu em 2012 na Arábia Saudita.


No caso da MERS, supõe-se que o coronavírus tenha passado do morcego para camelos, e daí ter feito a transição para os humanos.


Os pesquisadores demonstraram que as células do morcego-marrom-grande (Eptesicus fuscus) podem ser infectadas por meses com o coronavírus da MERS sem que o animal fique doente: morcego e vírus se adaptariam a essa situação.


"Em vez de matar as células do morcego, como faz com células humanas, o coronavírus da MERS entra num relacionamento de longo prazo com seu hospedeiro, que é viabilizado pelo sistema superimune do morcego", observa o microbiólogo Vikram Misra, um dos autores do estudo.


De acordo com os pesquisadores, essa relação de equilíbrio entre o coronavírus e o morcego se rompe em situações de stress, causadas pelo fato de os animais serem levados para mercados de vida selvagem, por outras doenças e possivelmente pela perda de seus habitats naturais. Nessas condições de stress, o coronavírus passaria do morcego para outras espécies.


O estudo foi publicado no jornal Scientific Reports.


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