• Sandra Carvalho

Como surgiram os dinossauros gigantes?

Um fóssil descoberto na Patagônia argentina ajuda a esclarecer esse enigma.


Recriação do dino Bagualia alba, cujos fósseis foram encontrados na Patagônia argentina | Ilustração: Jorge Gonzales/SNSB

Um grupo de internacional de paleontólogos esclareceu um dos mais intrigantes mistérios da era dos dinossauros. Como surgiram os saurópodes, animais gigantes que chegavam a ter corpo de até 40 metros de comprimento e peso de 70 toneladas ou mais?


O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B.


Esses herbívoros enormes, os maiores que já existiram, caracterizados por seus longos pescoços, não apareceram logo no início da era dos dinossauros.


Durante os primeiros 50 milhões de anos da evolução dos dinos, havia

espécies grandes de herbívoros, de até 10 metros de comprimento, mas também espécies menores, do tamanho de uma cabra.


Esses animais tinham dentes bastante finos, indicando que se alimentavam de vegetação macia e exuberante.


No entanto, no final do período Jurássico Inferior, cerca de 180 milhões de anos atrás, todos esses grupos menores desapareceram repentinamente, e apenas uma linhagem sobreviveu e prosperou - os saurópodes.


O que causou essa mudança na fauna durante o Jurássico Inferior permaneceu um enigma até agora.


Virada no clima


Mas uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pelo paleontólogo argentino Diego Pol, do Instituto de Investigações em Biodiversidade e Meio Ambiente da Argentina, encontrou uma explicação sobre essas mudanças.


Na província de Chubut, na Patagônia argentina, os pesquisadores descobriram os restos fósseis de um dos mais antigos grandes saurópodes conhecidos, batizado por eles de Bagualia alba.


As camadas onde o novo saurópode foi encontrado puderam ser datadas com muita precisão como de 179 milhões de anos atrás, logo após o misterioso desaparecimento dos outros grupos de dinossauros herbívoros de pescoço longo.


Fósseis de plantas em camadas de rocha da época forneceram evidências sobre o ambiente em que esses animais viviam.


Os dados indicam que houve uma mudança relativamente rápida no clima há cerca de 180 milhões de anos, de um clima temperado quente e úmido, em que uma vegetação diversa e exuberante florescia, para um clima muito quente e seco, caracterizado por plantas mais duras e menor biodiversidade.


Dentes robustos


Segundo os pesquisadores, essas mudanças foram aparentemente causadas por gases de efeito estufa como o CO2 e o metano, originados das erupções dos vulções, muito ativos na época.


Com seus dentes finos, argumentam os cientistas, muitas espécies de herbívoros não conseguiram se adaptar à vegetação mais resistente que passou a predominar com o clima mais quente.


Os saurópodes representavam o único grupo de dinossauros de pescoço longo com uma dentição muito mais robusta, adequada a uma vegetação mais dura. Foi assim que prosperaram e se tornaram o grupo dominante de dinossauros herbívoros na época.


A especialização nesse tipo de vegetação mais resistente foi provavelmente uma das razões pelas quais esses animais atingiram seus tamanhos gigantescos, de acordo com o estudo.


Para lidar com esse tipo de alimento, eles precisavam de grandes órgãos de digestão, e foram se tornando cada vez maiores.


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