• Sandra Carvalho

Contagem regressiva para salvar os últimos saolas

O perigo de extinção é iminente, segundo os cientistas que estudam o animal.


Saolas: animais pouco conhecidos, próximos dos bois e dos búfalos   | Foto:  Wlliam Robichaud 

Saolas são dos animais mais esquivos do mundo. Desde que foram descobertos na fronteira do Vietnã com o Laos, 25 anos atrás, só 10 foram capturados com vida.


Em 2015, o Saola Working Group estimou que havia 100 saolas sobreviventes. Hoje, teme-se que restem apenas poucos indivíduos espalhados pela região.


Uma carta de cientistas ligados à vida selvagem foi publicada no jornal Science, no dia 22 de setembro, narrando o perigo iminente de extinção.


A ideia deles é começar imediatamente um programa de criação para garantir a sobrevivência da espécie.


Com o nome científico de Pseudoryx nghetinhensis, os saolas são próximos de bois e búfalos. Vivem apenas nas montanhas Anamitas do Laos e do Vietnã, e estão na Lista Vermelha da IUCN como uma espécie criticamente ameaçada.


Eles morrem geralmente como vítimas do comércio de vida selvagem da Indochina, como efeito colateral da caça ilegal de outros animais, como elefantes e rinocerontes.


Os caçadores acabam pegando indiscriminadamente qualquer animal grande em suas armadilhas, segundo a carta dos cientistas.


Atrás dos últimos saolas


"Capturar alguns dos últimos saolas e transferi-los para uma área de criação protegida, supervisionada e integrada por experts internacionais é o passo mais importante para salvar essa espécie enigmática da extinção", disse William Robichaud, coordenador do Saola Working Group, num comunicado da organização de pesquisas alemã Forschungsverbund.


Robichaud é o autor da foto acima, uma das raras já feitas de um saola.


O último registro confirmado de um saola é uma fotografia feita por uma câmera escondida do WWF do Vietnã, em 2013.


"Nós precisamos de buscas de larga escala mais sistemáticas para achar os últimos saolas", afirmou Andrew Tilker, do Instituto Leibniz de Berlim, o principal autor da carta.


O plano é expandir as buscas e combiná-las com métodos atuais de detectação de animais, como câmeras escondidas, e também com novas abordagens, como análise molecular de sanguessugas (elas podem ter bebido o sangue dos saolas e ajudar a localizá-los).


O problema, como em muito casos de conservação, é bancar esse esforço. Os cientistas estão levantando fundos para a empreitada.


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