• Sandra Carvalho

Laissez-faire funciona com coronavírus? O Reino Unido paga para ver

A estratégia dos britânicos é criar imunidade de grupo, deixando o vírus seguir seu rumo.


O primeiro-ministro Boris Johnson no laboratório Mologic | Foto: Andrew Parsons/Nº 10 Downing Street/Flickr

Nada de medidas dramáticas contra o novo coronavírus - essa parece ser a linha seguida pelo Reino Unido, enquanto o resto do mundo suspende aulas, cancela eventos, fecha lojas, faz quarentena e bloqueia fronteiras para deter a pandemia.


A estratégia dos britânicos é deixar o vírus seguir seu curso e criar imunidade de grupo (herd immunity, em inglês) à Covid-19. Para chegar a essa imunidade, seria seria preciso que aproximadamente 60% da população contraísse a doença.


Faz parte do plano isolar as pessoas de mais de 70 anos dentro de casa por até quatro meses, pelo que narram os tabloides ingleses. Assim, os mais vulneráveis estariam a salvo do salve-se quem puder nas ruas.


Alguns epidemiologistas acharam o plano uma piada. Os jornais chineses estão revoltados, e chamaram a estratégia de "rendição total".


O receio, na China, depois de tanto sacrifício da população, médicos e enfermeiros para deter o coronavírus por lá, é que a pandemia retorne com toda força através dos casos importados.


A estratégia britânica contrasta radicalmente com o que Itália, França, Espanha, Alemanha e outros países europeus estão fazendo, apostando no distanciamento social. A Áustria não acaba de proibir reuniões com mais de cinco pessoas?


Resta saber se o Reino Unido vai insistir nessa linha de ação, porque as pressões aumentam de todo lado, inclusive da Organização Mundial de Saúde. A OMS aconselha ações que combinem estratégia de contenção do coronavírus e mitigação dos efeitos da pandemia.


Fora isso, o serviço público de saúde do Reino Unido, o NHS, está muito longe da excelente forma que teve no passado, depois de sucessivos cortes dos governos conservadores.


O NHS vai aguentar as consequências da política de imunidade de grupo, que pode levar uma massa gigantesca de doentes aos hospitais? A conferir.


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