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Coronavírus: a ameaça dos aerossóis

Texto de Byron Erath, Andrea Ferro e Goodarz Ahmad, da Universidade Clarkson.


Máscara: essencial em ambientes fechados para proteger contra as gotículas suspensas no ar | Imagem: cc0 Tumisu/Pixabay

Os aerossóis são uma ameaça maior do coronavírus do que as diretrizes da OMS sugerem. Veja o que você precisa saber.


Quando alguém tosse, fala ou mesmo respira, envia pequenas gotículas respiratórias para o ar ao redor. A menor dessas gotículas pode flutuar por horas, e há fortes evidências de que elas podem transmitir coronavírus ativo se a pessoa estiver infectada.


Até esta semana, no entanto, o risco desses aerossóis não tinha sido incorporado à orientação formal da Organização Mundial da Saúde, a OMS, para os países.


Em vez disso, a OMS sugeria que o coronavírus era transmitido principalmente pela tosse ou espirro de gotículas grandes no rosto de alguém, em vez de ser uma ameaça bem mais longa, que pode flutuar no ar.


Foi preciso pressão dos cientistas para começar a mudar isso.


Mais de 200 cientistas publicaram uma carta aberta à OMS em 6 de julho, alertando sobre a transmissão aérea da COVID-19 via aerossóis e instando a organização a reconhecer os riscos.


A OMS respondeu quinta-feira à tarde com uma atualização em que reconheceu a crescente evidência de propagação da doença pelo ar, mas o fez com hesitação.


Como professores que estudam a dinâmica dos fluidos e aerossóis, acreditamos que é importante que as pessoas entendam os riscos e o que podem fazer para se proteger.


O que é um aerossol e como ele se espalha?


Aerossóis são partículas suspensas no ar. Quando os seres humanos respiram, conversam, cantam, tossem ou espirram, as gotículas respiratórias emitidas se misturam no ar ao redor e formam um aerossol.


Como as gotículas maiores caem rapidamente no chão, os aerossóis respiratórios são frequentemente descritos como sendo compostos de gotículas menores com menos de 5 mícrons, ou cerca de um décimo da largura de um cabelo humano.


Em geral, as gotículas se formam quando uma lâmina de líquido se separa. Você provavelmente já experimentou esse fenômeno soprando bolhas de sabão. Às vezes, a bolha não se forma completamente, mas se divide em muitas gotas.


Da mesma forma, em humanos, lâminas e fios de líquido - muco - geralmente se estendem por partes das vias aéreas, ocorrendo com maior frequência em locais onde as vias aéreas se abrem e fecham repetidas vezes.


Isso acontece no fundo dos pulmões, à medida que os bronquíolos e os sacos alveolares se expandem e contraem durante a respiração; na laringe, enquanto as pregas vocais vibram durante a fala; ou na boca, enquanto a língua e os lábios se movem enquanto se conversa.


O fluxo de ar produzido pela respiração, fala e tosse rompe essas lâminas de muco, como quando se sopra a bolha de sabão.


Essa visão em câmera lenta de um espirro, da JAMA Network, mostra gotículas suspensas.

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O tamanho das gotículas varia com base em como e onde são produzidas nas vias aéreas. Embora a tosse gere a maior quantidade de gotas, uma pesquisa mostrou que apenas dois a três minutos de conversa podem produzir tantas gotículas quanto uma tosse.


Gotículas menores que 5 mícrons podem permanecer suspensas no ar por muitos minutos e até por horas, porque o efeito da resistência do ar em relação à gravidade é grande.


Além disso, o conteúdo de água das gotículas transportadoras de vírus evapora enquanto elas estão no ar, diminuindo seu tamanho.


Mesmo que a maior parte do fluido evapore de uma gotícula carregada de vírus, a gota não desaparece; apenas se torna menor. Quanto menor a gotícula, mais ela fica suspensa no ar.


Como as gotículas de menor diâmetro são mais eficientes em penetrar profundamente no sistema pulmonar, elas também representam um risco muito maior de infecção.


As diretrizes da OMS sugeriram que o RNA do vírus encontrado em pequenas gotículas não era viável na maioria das circunstâncias. No entanto, pesquisas iniciais sobre o vírus SARS-CoV-2 mostraram que ele é viável como aerossol por até três horas.


As máscaras protegem da transmissão do SARS-CoV-2 por aerossol?


Protetores de rosto e máscaras são absolutamente necessários para evitar a transmissão do SARS-CoV-2 por aerossóis. Eles servem a um duplo propósito.


Primeiro, filtram o ar expelido por um indivíduo, capturando gotículas respiratórias, reduzindo assim o risco de exposição para outros.


Isso é particularmente importante, pois eles são mais eficazes justamente na captura de gotículas maiores, que têm maior probabilidade de ter quantidades maiores de vírus encapsulados dentro delas.


Isso evita que as gotículas maiores afetem diretamente alguém ou evaporem para um tamanho menor e circulem no ar.


Os protetores de rosto e máscaras também reduzem a velocidade do sopro de ar produzido ao espirrar, tossir ou falar. Diminuir a velocidade do ar expelido reduz a distância em que as gotículas são transportadas inicialmente para o ambiente de uma pessoa.


É importante perceber, no entanto, que a proteção fornecida por máscaras e protetores faciais varia dependendo do material com que são construídos e de quão bem eles se encaixam no rosto das pessoas.


Ainda assim, o uso de protetores faciais para diminuir o risco de exposição no ar é vital.


Ficar a 2 metros de distância é suficiente para se manter seguro?


A recomendação para manter uma separação de 2 metros entre pessoas é baseada em um

estudo feito por W.F. Wells, de 1934, que mostrou que uma gotícula de água expelida cai no chão ou evapora a uma distância de cerca de 2 metros.


O estudo, no entanto, não explicou um fato: após a evaporação da água em uma gotícula carregada de vírus, os núcleos da gota permanecem, o que ainda representa um risco de infecção pelo ar.


Conseqüentemente, ficar 2 metros longe de outras pessoas reduz a exposição, mas pode não ser suficiente em todas as situações, como em salas fechadas e com pouca ventilação.


Como posso me proteger dos aerossóis em ambientes fechados?


Estratégias para mitigar a exposição ao vírus no ar são semelhantes às estratégias para se manter seco quando chove. Quanto mais tempo você ficar na chuva, e quanto mais chover, mais úmido ficará.


Da mesma forma, quanto mais gotículas houver no ar, e quanto mais tempo você permanecer nesse ambiente, maior o risco de exposição. Atenuar o risco se baseia na diminuição dos níveis de concentração de aerossóis e no tempo de exposição.


As concentrações de aerossol podem ser reduzidas com o aumento da ventilação, embora a recirculação do mesmo ar deva ser evitada, a menos que o ar possa ser efetivamente filtrado antes da reutilização.


Quando possível, abra portas e janelas para aumentar o fluxo de ar fresco.


Diminuir o número de fontes de emissão - pessoas - dentro de um espaço e garantir que os rostos estejam cobertos o tempo todo podem diminuir ainda mais os níveis de concentração.


Métodos de desativação do vírus, como luz ultravioleta germicida, também podem ser usados.


Por fim, reduzir a quantidade de tempo gasto em áreas pouco ventiladas e lotadas é uma boa maneira de reduzir o risco de exposição no ar.


☛ Este artigo foi republicado do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o original em inglês.


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