• Sandra Carvalho

Coronavírus: a vigilância avança junto com a epidemia

No combate ao novo vírus, a privacidade passa para segundo plano.


Apps: espionagem nos celulares | Imagem: cc0 Gerd Altmann/Pixabay

O governo da Coreia do Sul criou um app baseado em GPS para vigiar pessoas em quarentena durante a epidemia do novo coronavírus - se elas saírem do lugar combinado, o app dispara um alarme.


Segundo o governo, muitas pessoas têm desobedecido a instrução de isolamento e saído de casa, colocando em risco os esforços de contenção da doença.


O app será usado na cidade de Daegu e na província próxima de Gyeongsang Norte, onde se concentram cerca de 90% dos casos da epidemia no país. Em Daegu há cerca de 2.300 pessoas em quarentena, segundo a CNN.


O app coreano não é uma exceção. A vigilância tem aumentado junto com os casos da epidemia por toda parte. Até hoje, o mundo contou mais de 94 mil pessoas infectadas e 3.214 mortes.


Na China, logo nas primeiras semanas da epidemia, ainda durante os feriados do Ano Novo Lunar, certas cidades começaram a exigir que passageiros de transportes públicos autorizassem suas operadoras de celular a enviar para o governo para onde haviam viajado nos últimos tempos.


Quando o país decidiu adotar em massa o uso de máscaras para refrear o contágio nos lugares públicos, drones detectaram pessoas sem máscara nas ruas e a avisaram por som que elas eram importantes para conter a doença.


Essas medidas não destoaram num país que regularmente usa tecnologia de ponta para organizar e controlar seus cidadãos, e se orgulha de fazer isso com eficiência.


O app de vigilância que mais tem dado o que falar, adotado em mais de 200 cidades chinesas, é Alipay Health, que avalia na hora o risco de uma pessoa contagiar outras com o novo coronavírus, determinando se ela pode sair de casa ou se deveria se isolar.


Dependendo do caso, a pessoa é classificada com uma cor - verde, amarelo ou vermelho.


Segundo o New York Times, assim que um usuário libera seus dados pessoais para o app, ele manda para a polícia sua localização e sua cor.


Já o app de mensagens instantâneas WeChat, da Tencent, avisa o usuário se ele entrar em contato próximo com alguém infectado com o novo coronavírus, usando tecnologia de rastreamento com código QR.


Febre, questão de saúde pública


Medir a temperatura do corpo podia ser considerada algo privado, pré-epidemia. Agora a febre virou algo público, dos aeroportos americanos às estações de trem chinesas, em grandes paineis que todo mundo vê ou em pequenas câmeras de imagem térmica.


Software baseado em inteligência artificial tem sido usado para medir a febre das pessoas sem qualquer contato em estações de metrô e escolas da China com tecnologia da SenseTime, empresa especializada em visão computacional e aprendizado de máquina.


Em Chengdu, na província de Sichuan, funcionários do governo usam um capacete que detecta pessoas com febre num raio de 5 metros.



Enfim, tudo passa em nome do combate ao novo coronavírus. Resta ver o que vai sobrar de vigilância pós-epidemia. E tinha gente pensando que a falta de privacidade da web, baqueada com o Facebook, Google e companhia, já tinha passado dos limites...


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