• Sandra Carvalho

Coronavírus: chegou a hora de máscaras de pano. Elas resolvem?

Longe de ser a melhor opção, essas máscaras se tornaram a alternativa possível.


Ho Chi Minh, antes da pandemia: máscaras de todo tipo já faziam parte da paisagem | Foto: cc0 Sandra Carvalho

Há um consenso global sobre máscaras em meio a pandemia do novo coronavírus: máscaras cirúrgicas e N95, com respiradores, devem ser reservadas prioritariamente para profissionais de saúde que estão na frente de batalha contra a doença.


Alicerçando esse consenso, há uma escassez também global de máscaras, turbinada pelo avanço da pandemia: perto de 1 milhão de casos confirmados da infecção e cerca de 50 mil mortos oficiais, segundo os dados de hoje da universidade Johns Hopkins.


E o restante da população? Usa ou não usa máscaras? Em países asiáticos, do Japão ao Vietnã, da China a Cingapura, as pessoas usam as máscaras rotineiramente contra doenças. No resto do mundo, elas se tornaram populares e disputadas com a pandemia atual.


O fato é que não há máscaras para todos, e autoridades sanitárias em vários pontos do globo começam a sugerir, como nosso ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que a população saia às ruas com máscaras de pano. Pano? Tecido?


Desprezadas como alternativa não confiável para profissionais de saúde, as máscaras de pano surgiram agora como a opção possível para as pessoas comuns. Não são eficientes como máscaras cirúrgicas ou N95, mas são melhor que nada.


O endosso de cientistas de Yale


Os argumentos mais persuasivos sobre as máscaras de tecido para o grosso da população foram publicados em meados de março no jornal americano The Boston Globe por dois especialistas de Yale, Shan Soe-Lin e Robert Hecht, ambos da organização Pharos, consultoria especializada em saúde de países pobres e de renda média.


Eles aconselharam todo mundo a cobrir o rosto fora de casa, bloqueando o acesso ao nariz, garganta e olhos, para evitar infecções pelo novo coronavírus.


Seus motivos, num resumo:


1 - Máscaras funcionam para nos proteger de germes e interromper a transmissão de doenças para pessoas saudáveis.


2 - São a melhor maneira de impedir que as pessoas fiquem tocando no rosto, e por consequência abrindo caminho para vírus penetrarem as mucosas do nariz, garganta e olhos. (Tocamos o rosto uma vez a cada 2,5 minutos, em média.)


3- Usar máscaras sinaliza para os outros que não vivemos uma situação normal e que precisamos mudar de comportamento para barrar o novo coronavírus.


4 - Países asiáticos que contiveram o vírus sem quarentenas, como Hong Kong, Cingapura e Taiwan, comumente usam máscaras. ( Os cientistas não reduziram o sucesso desses países no combate à pandemia às máscaras, citando também o reconhecimento rápido das ameaças, testes amplos e isolamento rigoroso dos casos confirmados.)


Os dois pesquisadores de Yale advogaram não só o uso de máscaras de pano pelas pessoas comuns. Na falta delas, indicaram também o uso de lenços de pescoço, bandanas e similares para proteger o rosto.


Cuidados adicionais sugeridos: lavar as máscaras frequentemente e removê-las do rosto cuidadosamente, sem tocar a superfície externa.


Em nenhum momento eles sugeriram o uso dessas máscaras improvisadas por profissionais médicos, evidentemente.


Para médicos e enfermeiros


Um estudo da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), de 2015, feito com 1607 trabalhadores da área médica em 14 hospitais vietnamitas mostrou que as máscaras de pano permitem a entrada de 97% das partículas, contra 44% das máscaras cirúrgicas.


Os pesquisadores desse estudo concluíram que a retenção de umidade, o reúso e os filtros fracos podem representar um aumento do risco de infecção para os profissionais de saúde.


Refletindo agora sobre a atual pandemia de coronavírus e o uso de máscaras de pano por profissionais de saúde desesperados pela falta de equipamentos de proteção, mais uma vez eles condenaram seu uso.


Mas reconhecendo que há trabalhadores da área médica que são obrigados a improvisar máscaras de pano como último recurso, por não terem máscaras cirúrgicas, eles recomendaram alguns cuidados.


As recomendações: ter ao menos duas máscaras e alternar entre elas, de forma que uma possa ser lavada e secada depois do uso diário; usar spray desinfetante ou equipamentos de desinfecção de radiação ultravioleta nos intervalos do uso diário, e utilizar, junto com as máscaras, luvas e óculos de proteção.


Veja mais: Coronavírus: mais gente deve usar máscara médica, diz OMS


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