• Sandra Carvalho

Coronavírus fica no corpo de crianças mais que o esperado

O alerta foi feito por cientistas de 26 instituições médicas da Coreia do Sul.


Criança: vetor silencioso | Foto: cc0 Nathan Mullet/Unsplash

Cientistas coreanos fizeram um alerta sobre Covid-19 em crianças: o novo coronavírus permanece no corpo por um tempo mais longo do que o esperado.


Eles acompanharam 91 crianças infectadas pelo SARS-CoV-2, selecionadas através do rastreamento de contatos de pessoas doentes feito pelas autoridades sanitárias da Coreia do Sul ou pela manifestação de sintomas de Covid.


Na Coreia, considerado um país bem-sucedido no combate à pandemia, as crianças que testam positivo para Covid-19 ficam isoladas até sumirem os sinais do vírus, mesmo que sejam assintomáticas.


Das 91 crianças do estudo coreano, 22% (20 crianças) permaneceram assintomáticas o tempo todo de observação. A idade média delas era de 11 anos.


Entre os 71 casos sintomáticos, apenas 6 (9%) foram diagnosticados assim que os sintomas apareceram. A maioria (66%, 47 crianças) não tinha sintomas reconhecíveis imediatamente como de Covid antes do diagnóstico. E 18 crianças (25%) desenvolveram sintomas após o diagnóstico.


A duração média do vírus nas amostras das vias respiratórias superiores de todas as crianças, com ou sem sintomas, foi de 17,7 dias.


Nas crianças assintomáticas, RNA do vírus foi detectado em média por 14,1 dias, período que os cientistas coreanos consideram muito longo pela ausência de sintomas.


Os cientistas esclareceram que a presença de RNA do novo coronavírus não significa que ele seja viável, mas consideraram a existência do risco.


A conclusão deles é que casos de Covid-19 despercebidos em crianças podem estar associados com a transmissão silenciosa da infecção.


Eles sugeriram uma maior vigilância infantil através de testes de laboratório - avaliações baseadas apenas em sintomas, argumentaram, deixam de identificar a maior parte dos casos de infecção nas crianças.


O estudo sobre crianças e Covid-19 na Coreia do Sul foi publicado no jornal JAMA Pediatrics.


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