• Sandra Carvalho

Coronavírus: o sufoco em Hubei fica cada vez pior

Até jogos de cartas e mahjong foram proibidos na província...



A vida na província de Hubei, onde fica Wuhan, o epicentro da epidemia do novo coronavírus, está cada vez mais dura. E põe dura nisso.


Enquanto sobe o número de vítimas do Covid-19 sobe (1.775 pessoas morreram e 71.902 foram contaminadas até hoje), o isolamento e a vigilância em Hubei aumentam.


Agora todas as pessoas da província, que tem quase 60 milhões de habitantes, foram orientadas a ficar em casa até segunda ordem.


E como elas podem sobreviver nesse isolamento? Em Wuhan, cidade de 11 milhões de habitantes, onde a circulação já estava praticamente banida, um comitê local entrega os itens essenciais para sobrevivência nos respectivos endereços.


As empresas estão proibidas de funcionar, e as escolas também. Há aulas online para diminuir o transtorno. Nenhum veículo pode transitar, fora as ambulâncias, os carros da polícia e do governo e quem faz o abastecimento básico das cidades.


A proibição de sair de casa abrange desde o fim-de-semana também 200 mil comunidades agrícolas, com cerca de 24 milhões de moradores, segundo o South China Morning Post.


Nessas vilas, a cada três dias, uma pessoa por casa pode sair para comprar o básico. Mas não pode sair de qualquer jeito: tem de usar máscara e manter distância mínima de 1,5 metro das outras pessoas para diminuir as chances de infecção.


As proibições atuais incluem casamentos (que devem ser adiados) funerais longos (eles devem ser minimizados), visitas domésticas e jogos de mahjong e cartas.


A mão pesada das autoridades sanitárias e do governo sobre Hubei se apoia em números: estão lá 80% dos casos da doença e 96% das mortes causadas pelo Covid-19.


Na cidade de Xiaogan, de 4,8 milhões de habitantes, o governo local está ameaçando quem sair de casa com 10 dias de prisão a partir de hoje, de acordo com o Global Times, parte da rede de mídia do governo chinês.


As autoridades designaram 42 supermercados, 161 de seus fornecedores e 88 farmácias a permanecer abertos, receber ordens por app ou telefonema e entregar as encomendas no dia seguinte.


Em Wuhan, as novas autoridades locais divulgaram a meta de garantir tratamento a todos os doentes com o Covid-19 em três dias, e no mesmo prazo testar todas as pessoas suspeitas de infecção e colocar todos os seus contatos próximos em quarentena.


Em 10 cidades de Hubei a venda de remédio para febre e tosse foi proibida, na tentativa de evitar que pessoas contaminadas pelo vírus passem despercebidas.


Em Huanggang, umas cidades mais atingidas pela epidemia na província, o governo local está pagando 500 yuans (309 reais pelo câmbio atual) para quem tiver febre e tosse e procurar auxílio médico.


No restante da China, embora haja bloqueios de circulação e quarentenas, as restrições são muito menores, e há um ensaio de volta ao trabalho após aproximadamente três semanas de paralisação.


Como a velocidade de disseminação do vírus diminuiu no país, há a expectativa de que a epidemia esteja perdendo a força.


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