• Sandra Carvalho

CoronaVac não basta para quem tem 80 anos ou mais?

É o que sugere um novo estudo de efetividade da vacina no Estado de São Paulo.


CoronaVac: efetividade na berlinda entre pessoas de mais de 80 anos | Foto: cc Itamar Aguiar/Palácio Piratini

A CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantã, já entrou para a história das vacinas no Brasil: deu o pontapé inicial na imunização contra a Covid-19 e salvou muitas vidas, tirando o país das mãos do negativismo em vacinação .


Dos 123 milhões de doses de vacinas aplicadas até agora no Brasil, 38,6% das doses são #CoronaVac, segundo dados do Ministério da Saúde. A vacina tem evitado casos graves, hospitalizações e mortes pelo novo coronavírus - as estatísticas provam isso.


Mas há dúvidas sobre a efetividade da CoronaVac entre as pessoas bem idosas, e um novo estudo, ainda em preprint, sem revisão de pares, acaba de reforçar essas dúvidas. A pesquisa focou especialmente na variante Gamma, a dominante no Brasil.


De acordo com esse estudo, em pessoas com 80 anos ou mais, a taxa de efetividade da CoronaVac é baixa demais. Catorze dias após a segunda dose, seria de 28% para casos sintomáticos, 43,4% para hospitalizações e 49,9% para mortes. Ou seja, não protegeria a maioria dos muito idosos.


O estudo partiu de dados de 43 mil pessoas com 70 anos ou mais no estado de São Paulo. Para a faixa dos 70-74 anos, a efetividade foi registrada foi muito melhor: 61,8% para casos sintomáticos, 80,1% para hospitalizações e 86% para mortes.


A faixa intermediária do estudo, entre 75 e 79 anos, apresentou efetividade intermediária para casos sintomáticos (48,9%) e hospitalizações (69,5%) e uma performance apreciável para mortes: 87,1%.


A pesquisa foi feita por um grupo internacional de cientistas, entre os quais estão Julio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso (#UFMT) e da Fiocruz, e Otavio Ranzani, da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto para Saúde Global de Barcelona (ISGlobal).


Os pesquisadores sugeriram que para proteger a população de 80 anos para cima pode ser necessário aplicar "vacinas específicas" ou "esquemas de vacinação específicos". Eles não mencionaram diretamente Pfizer ou AstraZeneca/Oxford, mas a sugestão fica no ar.