• Sandra Carvalho

Crianças bem alimentadas ficam 20 cm mais altas

Elas crescem mais em países ricos da Europa, e muito menos na Ásia, América Latina e África.


Altura comparada: jovens holandeses são os mais altos do mundo | Foto: cc0 Ben Wicks/Unsplash

Cientistas do Imperial College de Londres compararam a altura e o peso de 65 milhões de crianças e adolescentes entre os 5 anos e 19 anos de idade em 193 países, e chegaram a uma conclusão chocante.


Há uma diferença de 20 centímetros entre os jovens de 19 anos dos países mais altos ( em geral mais ricos) e os mais baixos (mais pobres).


Os jovens mais altos ficam em países como Holanda, Montenegro, Dinamarca e Islândia, na Europa. Os mais baixos em países como Timor-Leste e Bangladesh, na Ásia, Papua-Nova Guiné, na Oceania, e Guatemala, na América Central.


Um exemplo: as meninas de 19 anos em Bangladesh e Guatemala, as mais baixinhas do mundo, têm altura comparável a meninas de 11 anos nos Países Baixos, que tem as crianças mais altas do globo.


Os pesquisadores associaram a disparidade à alimentação de qualidade que as crianças em idade escolar recebem nos países mais altos e a problemas de nutrição nos países mais baixos.


Alimentação de má qualidade, apontaram, pode levar a crescimento atrofiado. Mas não só isso: leva também a obesidade. Ambos podem afetar a saúde da criança ao longo de toda a vida.


O Brasil não chamou a atenção no estudo, por não estar em nenhum dos extremos do estudo, nem entre os países mais altos nem entre os mais baixos.


A pesquisa abrangeu dados de 1985 a 2019, e checou quais países estavam fazendo mais progressos em altura. Entre os países que mais avançaram nesse período, estão China e Coreia do Sul.


Meninos de 19 anos na China em 2019 se mostraram 8 cm mais altos do que em 1985, fazendo que o país passasse do 150º lugar no ranking dos mais altos para a 65ª posição. Ao contrário, em muitos países da África subsaariana a altura dos meninos estagnou ou regrediu nessas décadas.


O estudo analisou também as diferenças do IMC, o índice de massa corporal, nas crianças e adolescentes dos 193 países. Casos de IMC problemático se manifestaram tanto em países ricos quanto pobres, com os mais extremados em países ricos.


Jovens de 19 anos com o IMC mais alto se encontram nas ilhas do Pacífico, Oriente Médio, Estados Unidos e Nova Zelândia. Os ICM de mais baixo, em países como Índia e Bangladesh.

A disparidade entre os índices chega a 9 unidades, o que é equivalente a 25 quilos de peso.


A pesquisa foi publicada em The Lancet.


O infográfico das disparidades de altura e IMC | Infográfico: Imperial College de Londres

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