• Sandra Carvalho

Dá para se animar com a vacina chinesa CoronaVac?

Testada no Brasil pelo Instituto Butantan, a vacina vai aos poucos minando as resistências.


Aplicação da CoronaVac em testes coordenados pelo Instituto Butantan | Foto: cc Governo de São Paulo

A vacina chinesa CoronaVac, contra Covid-19, desenvolvida pela empresa Sinovac Biotech, de Pequim, e testada no Brasil pelo Instituto Butantan, chegou aqui enfrentando desconfianças. E não era só preconceito contra a China - faltavam informações elementares sobre a vacina.


A CoronaVac se baseia no vírus SARS-CoV-2 inativado para produzir anticorpos capazes de neutralizar o novo coronavírus.


O único estudo publicado pela Sinovac num jornal científico com revisão de pares sobre a CoronaVac se limitou à fase inicial de desenvolvimento.


Testes muito promissores com ratos e macacos-rhesus inoculados com vírus do novo coronavírus de diferentes cepas, colhidas em pacientes hospitalizados ao redor do mundo, foram dissecados num estudo na Science em maio.


Os animais que receberam doses baixas da vacina deram indícios de controlar a doença, e os que receberam a dose mais alta não exibiram qualquer carga viral na faringe e no pulmão 7 dias depois de infectados.


Apesar desse começo animador, faltavam dados dos estágios seguintes de desenvolvimento da CoronaVac, justamente dos ensaios clínicos com humanos. Mas, aos poucos, os dados vão aparecendo.


Em meados de junho, houve uma divulgação parcial e muito resumida dos resultados combinados da fase 1 e 2 dos ensaios clínicos, feita pela própria Sinovac.


No total, foram mobilizados 743 voluntários (143 na fase 1 e 600 na fase 2). Nessa divulgação, a empresa anunciou uma taxa de soroconversão genérica acima de 90%.


Agora melhorou


Três dias atrás, um estudo com os dados primários da fase 2 dos ensaios clínicos da CoronaVac foi publicado no preprint medRXiv, sem revisão de pares, mas com muitos detalhes da vacina.


Os testes foram feitos com 600 participantes entre 18 e 59 anos na China, que receberam duas injeções de CoronaVac ou placebo com intervalo de 14 dias. O experimento foi randomizado e duplo-cego.


Segundo a pesquisa, a vacina foi bem tolerada e não inspirou cuidados relativos a segurança. A maior parte das reações adversas foi leve - dor no local da injeção foi o sintoma mais relatado.


Os testes foram feitos com duas doses diferentes da vacina: 3 μg/05 mL e 6 μg/05 mL. Mesmo a dose menor deu bons resultados, com 92,% de soroconversão no 14º dia dos testes e 97,4% no dia 28º.


O estudo foi assinado por 30 profissionais chineses, dos quais 11 declararam trabalhar para o grupo Sinovac (Sinovac Biotech e Sinovac Life Sciences). O estudo completo está previsto para 13 de dezembro.


A fase 3 dos ensaios clínicos da CoronaVac começou no final de julho no Brasil. O Instituto Butantan, de São Paulo, está coordenando os testes em 9 mil profissionais de saúde de vários estados.


O Butantan tem um acordo com a Sinovac para produzir a vacina no país. De qualquer forma, o instituto vai receber 15 milhões de doses da CoronaVac fabricadas na China entre outubro e dezembro, de acordo com Dimas Covas, seu diretor.


Se tudo der certo, a ideia é começar a produzir localmente a vacina em dezembro para iniciar a vacinação em massa em janeiro através do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. Antes, a Anvisa tem de aprovar. E o milicostério topar, é claro.


Há outros países envolvidos na fase 3 dos ensaios clínicos da CoronaVac. Na Indonésia, os testes vão durar seis meses. 1.620 pessoas receberão a vacina. Os ensaios se repetirão também em Bangladesh.


A CoronaVac depende muito de testes do exterior: com seu bem-sucedido combate à pandemia, a China não tem mais exposição local ao vírus suficiente para testar direito a imunidade criada pela vacina.


Veja mais: USP capta ao vivo coágulo de coronavírus de formando


#China #Coronavírus #Covid19 #Epidemias #InstitutoButantan #Vacinas #Vírus