• Sandra Carvalho

A acidificação dos oceanos começa nessas 20 empresas

Cientistas americanos apontam o dedo para os nomões da indústria de combustíveis fósseis.


Corais da ilha Pescador, nas Filipinas: em risco | Foto: cc0 Olga Tsai/Unsplash

Desde a Revolução Industrial, os oceanos absorveram 525 bilhões de toneladas dióxido de carbono, o CO2, da atmosfera.


Bom para aliviar o aquecimento global, mas péssimo para os próprios oceanos: com excesso de CO2, suas águas ficam mais ácidas e a vida marinha é abalada. O impacto atinge recifes de corais, ostras, mexilhões, estrelas-do-mar, algas coralinas, peixes-palhaço.


E dá-lhe CO2: são 22 milhões de toneladas por dia nos oceanos nos níveis atuais. Nos últimos 200 anos, as águas dos oceanos ficaram 30% mais ácidas.


Um grupo de cientistas americanos resolveu percorrer a trilha que leva da acidificação dos oceanos até os produtores de carbono, identificando a origem do problema.


Eles concluíram que as emissões originadas nos 88 maiores produtores industriais de carbono entre 1880 e 2015 são responsáveis por mais da metade da acidificação nesse período, medida pelo pH da superfície oceânica.


Focando nas emissões de carbono mais recentes, entre 1965 e 2015, os pesquisadores encontraram 20 companhias de combustíveis responsáveis, sozinhas, por 22,7% do declínio do pH da superfície oceânica.


De acordo com a pesquisa, a número 1 é a Saudi Aramco, uma companhia que vale no mercado muito mais que o PIB da maioria dos países: 1,26 trilhão de dólares. A "contribuição" da Saudi Aramco foi calculada em 3% das emissões de CO2.


A lanterninha dos vilões do carbono é a brasileira Petrobras, cuja "contribuição" foi estimada em cerca de 0,5% das emissões.


Das 20 companhias, 12 têm controle estatal e 8 são de capital privado. Se é para poluir o meio ambiente, não há muita diferença entre os dois tipos de empresas.


1. Saudi Aramco, da Arábia Saudita


2. Chevron, dos Estados Unidos


3. Gazpron, da Rússia


4. ExxonMobil, dos Estados Unidos


5. Companhia Nacional Iraniana de Petróleo, do Irã


6. BP, do Reino Unido


7. Shell, da Holanda


8. Pemex, do México


9. Coal India, da Índia


10. Petróleos de Venezuela, da Venezuela


11. Peabody Coal Group, dos Estados Unidos


12. PetroChina, da China


13. ConocoPhillips, dos Estados Unidos


14. Companhia Nacional de Petróleo Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos


15. Kuwait Petroleum Corporation, do Kuwait


16. Total, da França


17. Sonatrach, da Argélia


18. BHP Billiton, da Austrália


19. Companhia Nacional de Petróleo do Iraque


20. Petrobras, do Brasil


O estudo foi publicado no jornal Environmental Research Letters.


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