• Sandra Carvalho

Declínio das democracias: o ranking da liberdade de 2020

A liberdade se deteriora da Europa à Ásia e prejudica mais da metade do mundo.


Budapeste, Hungria: populismo nacionalista ameaçador | Foto: cc0 Eugene Zhyvchik/Unsplash

A democracia anda mal das pernas - de 7,7 bilhões de pessoas que habitam o planeta Terra, apenas 39% vivem atualmente em liberdade. Outros 25% moram em países parcialmente livres, e 36% têm de aturar governos abertamente autoritários.


O ranking Liberdade no Mundo em 2020, da organização Freedom House, mostra a deterioração das democracias há 14 anos consecutivos - da Índia à China, da Hungria à Polônia, da Venezuela à Nicarágua.


Nem é preciso falar do Oriente Médio, onde apenas 4% das pessoas vivem em democracias, ou da África subsaariana, onde somente 9% vivem em liberdade, segundo o ranking deste ano.


A liberdade floresce mais na Europa, onde 83% da população vive em países considerados democráticos . Finlândia, Noruega e Suécia chegam no ranking a um score de 100 dos 100 pontos possíveis. O destaque sul-americano de liberdade é o Uruguai, com 98 pontos.


A Europa não aparece no ranking como um paraíso sem problemas. Segundo a Freedom House, as democracias na região sofrem muita pressão com a ascensão de líderes populistas nacionalistas iliberais, como Victor Orbán, da Hungria, e o avanço da extrema direita em vários países, entre os quais Espanha e Estônia.


Hong Kong: protestos massivos por liberdade | Foto: cc0 Joseph Chan/Unsplash

De acordo com o ranking, a Síria é o pior caso do mundo de falta de liberdade, com score 0 (zero), seguida de perto por dois países africanos: Eritreia e Sudão do Sul. O único país rico na lista dos piores é a Arábia Saudia, com score de 7 pontos entre os 100.


A Freedom House bateu mais forte este ano em dois países: Índia, tida como a maior democracia do mundo, e a China, sob controle absoluto do Partido Comunista.


A Índia foi criticada por sua agenda nacionalista hindu, que sacrifica direitos de várias minorias muçulmanas. A China foi denunciada sobretudo pela perseguição étnica e religiosa aos uigures e outros grupos muçulmanos da região de Xinjiang.


A Freedom House classificou os Estados Unidos como um farol da liberdade (a organização recebe financiamento do governo americano), mas ressaltou que a política externa do presidente Trump é inconsistente na defesa da democracia e dos direitos humanos.


Exemplos dados: ataca o Irã e a Venezuela, mas deixa passar abusos autoritários em Hong Kong, Turquia, Egito, Rússia, Arábia Saudita e Coreia do Norte.


O Brasil aparece no ranking com um score de 75, com 31 dos 40 pontos possíveis em direitos políticos e 44 de 60 em liberdades civis. A corrupção é apontada como endêmica no país e a discriminação e a violência contra LGBT+ aparecem de forma destacada.


O mapa da Freedom House mostra o status atual das democracias no mundo. No site da organização, é possível acessar uma versão interativa.


Mapa: Freedom House

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