• Sandra Carvalho

Depois de anos de perseguição, Detroit tenta cooptar seus grafiteiros

Em vez de prender, a cidade tenta abraçar os artistas da rua.


Detroit: persistência do grafite | Foto: cc0 Pixabay

A Prefeitura de Detroit deu uma guinada em sua política de punir - e até botar na cadeia - quem faz street art.


"Murais da cidade", seu novo programa, prevê 7 murais em 7 viadutos da região sudoeste de Detroit e o patrocínio de três artistas residentes para pintar pontos arruinados da cidade normalmente visados por grafiteiros rebeldes.


A nova política também garante a proprietários de imóveis pichados ou "vandalizados" e multados por não repintarem as paredes a opção de ter o imóvel pintado por um artista do programa.


"Murais da cidade" ainda é um projeto piloto. Tem uma verba de 50.000 dólares, vinte vezes menor do que o 1 milhão de dólares gastos anualmente pela Prefeitura para apagar pichações e grafites considerados ilegais na cidade.


Os três primeiros artistas escolhidos para "Murais da cidade" são Philip Simpson, dono da galeria Baltimore e da marca Smile, Louise Chen (Ouizi), que normalmente pinta flores tanto em quadros quanto em arte na rua, e William Bevan, o menos conhecido dos três.


A briga da Prefeitura contra grafiteiros mais barulhenta foi contra Shepard Fairey, autor do icônico poster Hope, com Barack Obama, e dono da marca de roupas Obey, em 2015.


Fairey foi acusado de "destruição maligna" de um edifício, crime punido com dez anos de cadeia, mas um juiz arquivou o processo. Em outro caso, dois grafiteiros chegaram a passar 60 dias na prisão por causa de acusações da Prefeitura, segundo o Detroit Free Press.


#Arte #Cidades #Detroit #Grafite #StreetArt