• Sandra Carvalho

Desigualdade põe negros 10 anos atrás de brancos no Brasil

A renda familiar dos brancos ainda é o dobro da dos negros.


Mulheres negras: dados falam por si   |  Foto: cc  Elza Fiuza/Agência Brasil

Quase 130 anos depois do fim da escravidão, as diferenças entre brancos e negros continuam marcantes no país. Os brancos ainda vivem mais, estudam mais e ganham mais.


Veja os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), trabalhados com a ajuda do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação João Pinheiro.


Eles partiram do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e de 170 indicadores brasileiros e destacaram as diferenças entre a população branca e a negra em 2010. Confira neste infográfico:


Foto do infográrfico: cc Rovena Rosa/Agência Brasil

Comparando o IDHM de 2010 com o de 2000, nota-se que a desigualdade entre brancos e o negros no Brasil está menor, embora continue relevante. Em 2000, o IDHM dos brancos era 27,1% superior ao dos negros. Em 2010, a diferença caiu para 14,4%.


Foi preciso chegar a 2010 para que a a população negra alcançasse os níveis de IDHM dos brancos de 2000.


Segundo o estudo, os avanços dos negros dão-se sobretudo pela educação, em que eles evoluem mais rapidamente que os brancos. Entre 2000 e 2010, o crescimento médio anual dos negros em educação foi de 4,9%. O dos brancos, 2,7%.


O mapa da desigualdade não é uniforme. A maior desigualdade em renda se encontra na região metropolitana de Salvador.


Lá a renda domiciliar per capita da população negra em 2010 era de 666 reais, e a da população branca, 1.826, quase três vezes mais.


Ao mesmo tempo, a média nacional para negros era de 508,90 reais, contra 1.079 reais para brancos, ligeiramente mais que o dobro.