• Sandra Carvalho

Dexametasona, a droga que salva vidas do coronavírus

O remédio é endossado por testes massivos com doentes graves no Reino Unido.


Hospital de campanha: os doentes entubados ganham nova chance com o esteroide | Foto: cc Mario Oliveira Semcom

O primeiro remédio capaz de salvar vítimas da pandemia do novo coronavírus da morte pode ser um velho esteroide, nas prateleiras de qualquer farmácia, que custa aproximadamente 5 reais nas redes brasileiras: a dexametasona.


A droga está no mercado há 59 anos, conhecida por seus efeitos anti-inflamatórios. Trata de alergias a câncer, passando por asma e artrite reumatoide. Sua patente já venceu na maioria dos países, então costuma ser barata no mundo todo.


Um programa britânico de testes chamado Recovery, liderado por cientistas da Universidade de Oxford, apontou que a dexametasona salva até um terço das pessoas entubadas nos hospitais, e um quinto dos pacientes fora dos respiradores, mas que precisam de oxigênio para respirar.


Nos casos graves de Covid-19, o SARs-Cov-2 ataca as células do pulmão e das vias aéreas, provocando uma reação do sistema sistema imunológico que pode ser igualmente danosa. O poder da dexametasona é o de atuar nessa inflamação criada pelo sistema imunológico.


Nos testes, a droga não teve nenhum efeito benéfico em pessoas com Covid-19 sem dificuldades de respiração.


Teste randomizado e controlado


A OMS afirmou que este é o primeiro tratamento cientificamente comprovado que reduz a mortalidade de doentes graves com a Covid-19.


O estudo ainda não foi publicado nem avaliado por peer review, o que sugere alguma cautela. Mas os cientistas de Oxford estão tão entusiasmados com a droga que já divulgaram os resultados da pesquisa e pararam de inscrever pacientes para novos testes.


O NHS, o SUS do Reino Unido, já tornou a droga disponível para pacientes graves nos hospitais britânicos.


O Recovery é o maior programa de teste randomizado e controlado de drogas contra o novo coronavírus no mundo, envolvendo 175 hospitais. Até agora, examinou dados de 11.500 pacientes. No caso da dexametasona, doses baixas se revelaram mais eficientes.


Os testes com o remédio foram feitos com 2.104 pacientes escolhidos aleatoriamente para tomar 6 mg de dexametasona por dia. Os resultados foram comparados com outros 4.231 doentes escolhidos aleatoriamente para continuar com o tratamento padrão da Covid-19.


A Colizão Brasil Covid, liderada pelos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, também vai testar a dexametasona em teste randomizado e controlado no país. No momento, recruta voluntários. Os resultados são esperados para agosto.


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