• Sandra Carvalho

Dinamarca vai exterminar 15 milhões de martas

O motivo: uma mutação do coronavírus mais perigosa para humanos.


Martas em jaula de fazenda: destinadas a virar casacos de mink | Foto: ccDzīvnieku Brīvība/Flickr

A Dinamarca vai exterminar imediatamente 15 milhões de martas das fazendas do país. Os animais são criados para abastecer a indústria de casacos de pele de mink.


O objetivo do abate é evitar que os animais, contaminados por Covid-19, transmitam para humanos uma mutação do novo coronavírus capaz de enfraquecer o desenvolvimento de anticorpos.


Essa mutação do vírus da Covid-19 ocorrida nas martas já foi encontrada em 12 pessoas do norte da Dinamarca que foram contaminadas pelos animais, segundo os dados do Ministério da Saúde da Dinamarca.


No momento, há 207 fazendas de martas dinamarquesas atingidas pela Covid-19. O país tem cerca de 1.200 dessas fazendas.


Segundo o governo dinamarquês, com a mutação o coronavírus enfraquece a capacidade do corpo de formar anticorpos, o que poderia colocar em risco o futuro das vacinas.


Fazendas de martas já são um pesadelo por si só. Para produzir a matéria-prima dos famosos casacos de mink, confinam os bichos em jaulas apertadas do nascimento à morte. A Dinamarca é o maior maior produtor de mink do mundo, segundo a BBC.


Em outubro, o governo dinamarquês já tinha ordenado o abate de 1 milhão de martas em 60 fazendas contaminadas pelo coronavírus, mas isso não bastou para conter o alastramento da doença.


Outros países europeus, como Espanha e Países Baixos, também abateram milhares de martas para evitar a disseminação do novo coronavírus, mas sem detectar mutação no vírus nem sua transmissão dos animais para humanos.


Combatidas por organizações de defesa de direitos de animais, as fazendas de marta parecem destinadas ao desaparecimento na Europa, pelo menos a longo prazo.


Elas foram banidas já em 2003 no Reino Unido e atualmente vários países europeus seguem um cronograma de desativação com datas limites estabelecidas. É o caso, por exemplo, da França e Países Baixos.


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