• Sandra Carvalho

Distanciamento social, a expressão do momento

Em tempos de coronavírus, esqueça os apertos de mão e as aglomerações, grandes ou não.


Máscara: uma proteção a mais para refrear o coronavírus | Foto: cc0 Dimitri Karastelev/Unsplash

Em meio à epidemia global do novo coronavírus, uma expressão se tornou onipresente: distanciamento social. Faz parte do beabá se sobrevivência ao vírus receitado a toda hora pelos especialistas em saúde pública.


Na falta de uma vacina contra a Covid-19 e até de remédios efetivos contra o vírus, prevenção é tudo. Afinal, mais de 121 mil pessoas já foram infectadas e mais de 4.300 morreram ao redor do mundo com a epidemia.


Mais popular que distanciamento social, hoje em dia, só mãos bem lavadas com água e sabão ( por 20 segundos, combinado?)


A Organização Mundial da Saúde aconselha o distanciamento social de forma bem precisa: trata-se de manter distância mínima de um metro de qualquer pessoa tossindo ou espirrando.


O motivo: as gotículas da tosse e dos espirros de uma pessoa infectada pelo coronavírus transmitem a doença.


Nem sempre é possível. Como se afastar rapidamente de alguém tossindo num ônibus superlotado em São Paulo? Na Itália, os supermercados racionam a entrada de consumidores, para garantir a distância mínima. Resultado: as pessoas estão se aglomerando na porta das lojas, na fila.


Levar o distanciamento social voluntariamente a sério não é fácil - lá se vão os apertos de mãos, os abraços e beijos entre amigos e parentes, o drink compartilhado no fim do dia num bar lotadaço. O namastê vai substituir o aperto de mãos?


Lembrando: a disseminação da infecção no primeiro caso de coronavírus no Brasil, de um empresário vindo da Itália, começou com um almoço de domingão para 30 pessoas da família.


Sem aula, sem plateia, sem viagem


Onde a epidemia avançou muito, como na província de Hubei, na China, até os funerais foram proibidos para impedir que as pessoas se aproximassem demais umas das outras. Agora a Itália acaba de proibir não só os funerais, mas também os casamentos.


Escolas fechadas por semanas ou meses estão garantindo o distanciamento social de seus alunos em vários países, do Japão ao Irã, com ou sem aulas online. No mundo, já são 363 milhões sem aulas.


Da mesma forma, para evitar o contágio, hoje se cancelam eventos com grandes públicos, se jogam partidas de futebol sem plateia, se gravam programas de televisão sem auditório: distanciamento social.


Das audiências virtuais do papa Francisco aos protestos online de sexta-feira de Greta Thunberg, o mundo tenta se desvencilhar temporariamente das multidões, tão propícias para a multiplicação do coronavírus.


Empresas como Google, Apple e Amazon suspenderam as viagens de seus funcionários e liberaram o trabalho remoto justamente por isso: garantir o distanciamento social que deixa o novo coronavírus mais distante.


A argumentação mais poderosa feita a favor do distanciamento social foi escrita pelo professor Yascha Mounk, da Universidade Johns Hopkins, e publicada pela Atlantic.


O título é revelador: "Cancele tudo". Uma tradução do seu artigo foi publicada ontem pela pela Folha de S. Paulo.


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