• Sandra Carvalho

Documentado: o declínio dos mamíferos nos neotrópicos

A fauna local encolheu 56,5%, segundo pesquisadores da USP e da UEA.


Onças-pintadas: um dos grandes mamíferos sob pressão | Foto: cc Martha de Jong Lantink/Flickr

Os neotrópicos, região formada pela América do Sul, Caribe e América Central, são conhecidos pela exuberância de sua fauna e por ter a maior diversidade de mamíferos do mundo, com 1.600 espécies. E justamente na região os mamíferos estão sob risco.


Pesquisadores da USP em Piracicaba e da Universidade de East Anglia (UEA), na Inglaterra, documentaram o declínio de 56,5% dos mamíferos grandes e médios nos neotrópicos, sob pressão da caça e de mudanças feitas pelos homens em seus habitats.


O índice de defaunação leva em conta as perdas que ocorreram desde a colonização dos neotrópicos pelos europeus no século 16.


Entre os animais mais afetados estão a anta-brasileira e a queixada. O peso médio dos mamíferos neotropicais caiu de 14 kg para 4 kg no período, indicando o impacto maior das ações humanas sobre os mamíferos grandes e médios.


Os pesquisadores examinaram estudos mais de 1000 lugares de 23 países publicados nos últimos 30 anos com dados desde o período colonial. Encontraram indicações de declínio dos mamíferos que remontam há mais de 500 nos.


Segundo os cientistas, a biodiversidade neotropical tem sido minada pela perda de habitat dos animais, caça excessiva, incêndios acidentais ou intencionais, doenças e a introdução de espécies invasoras.


Segundo o estudo, o declínio foi acelerado nos anos 70, através da chegada humana em áreas antes remotas através de novas estradas, expansão da fronteira agrícola, incêndios provocados pela mudança de clima, pressão crescente da caça e relaxamento da fiscalização das leis de proteção ao meio ambiente.


Os pesquisadores apontam as maiores perdas de mamíferos nos neotrópicos em dois biomas brasileiros: Mata Atlântica (62%) e Caatinga (75%), com seus mais de 500 anos de desflorestamento e caça excessiva crônica desde o início do período colonial.


Já o índice mais baixo defaunação fica com outro bioma: o Pantanal, o mais preservado de todos. Junto com a Amazônia e a Patagônia, o Pantanal tem a fauna de mamíferos contemporâneos mais intocada, conforme o estudo.


O estudo foi publicado em Scientific Reports.


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