• Sandra Carvalho

Dormir entre 10 e 11 horas da noite faz bem ao coração

Ir para cama mais cedo ou mais tarde atrapalha nosso relógio interno, diz cientista inglês.


Pessoa dormindo
Hora de dormir: risco 25% maior para a turma da madrugada | Foto: cc0 Pixabay

O professor David Palms, um especialista em neurociência organizacional da Universidade de Exeter, na Inglaterra, tem uma teoria inusitada: ele diz que dormir entre 10 e 11 horas da noite diminui o risco de desenvolver doenças do coração.


Dormir mais cedo ou mais tarde, ele argumenta, atrapalha nosso relógio interno de 24 horas, o ritmo circadiano, com consequências negativas para a saúde cardiovascular.


Seu estudo foi publicado no European Heart Journal e divulgado pela Sociedade Europeia de Cardiologia. O que ele tem de original é explorar o horário de dormir, em vez de horas de sono.


Além de trabalhar na #UniversidadedeExeter, Palms faz parte da empresa Huma Therapeutics, uma plataforma de software de saúde. Vários pesquisadores do estudo são da Huma.


Palms se baseia em dados de mais de 88 mil pessoas do BioBank do Reino Unido, com idade média de 61 anos. Os dados sobre hora de dormir e acordar foram coletados por uma semana com acelerômetros de pulso. As pessoas foram acompanhadas por 5,7 anos.


Nesse período, 3,6% dos participantes na pesquisa desenvolveram doenças cardiovasculares.


A maior incidência dos problemas do coração se deu com pessoas que dormiam à meia-noite ou mais tarde. A menor, entre quem ia para cama entre 10 horas e 10: 59.


A turma da meia-noite e da madrugada registrou um risco 25% maior de doenças cardiovasculares. Quem ia para cama entre 11 horas e 11:59 teve um risco 12% maior. Dormir antes das 10 também se provou negativo: 24% a mais de risco.


O estudo não provou causalidade entre o horário do sono e as doenças do coração, mas sugeriu que o horário de dormir é um fator potencial de risco cardíaco.


"A hora ótima de ir dormir é um ponto específico do nosso ciclo corporal de 24 horas, e desvios podem ser prejudiciais à saúde", assegura Palms.


"O mais arriscado é depois da meia-noite, porque isso pode reduzir a probabilidade de ver a luz da manhã, que zera o relógio biológico."


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