• Sandra Carvalho

Drogas psicodélicas podem tratar doenças mentais?

Os psicodélicos, antes banidos, voltam a ser levados a sério pela ciência.


Laboratório da Virginia Tech
Laboratório da Virgina Tech onde as substâncias psicodélicas são estudadas | Foto: Tonia Moxley/Virginia Tech

Depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, vícios. Na hora de achar soluções para esses problemas, os cientistas voltam a olhar as drogas psicodélicas, que estavam no ostracismo.


Na universidade Virginia Tech (#VT), em Blacksburg, Virgínia, o professor Chang Lu, de Engenharia Química, e sua equipe acabam de mostrar que um grupo de substâncias psicodélicas parecem funcionar melhor que os remédios convencionais contra várias doenças mentais - e com menos efeitos colaterais.


Os pesquisadores da Virginia Tech examinaram as drogas psilocibina, mescalina, LSD e outras substâncias semelhantes e concluíram que aparentemente aliviam sintomas de ansiedade, depressão, vício e transtorno pós-traumático (#TEPT).


Segundo os pesquisadores, além de ter efeito mais rápido e duradouro que os remédios normalmente adotados contra esses males, essas drogas psicodélicas aparentemente provocam menos efeitos colaterais, que são um complicador sério nessa área da medicina.


Para verificar como essas substâncias funcionam, os cientistas estudaram seus processos biológicos em ratos. Apesar de os cérebros humanos e de ratos serem bem diferentes, eles consideraram que têm semelhanças suficientes para comparações úteis.


Os experimentos foram feitos com a droga 2,5-dimetoxi-4-iodoanfetamina (DOI, na sigla em inglês), semelhante ao LSD, administrada a ratos preparados para ter certos gatilhos.


Depois de uma dose de DOI, ratos que temiam os gatilhos não responderam mais a eles com ansiedade. Os efeitos se estenderam ao cérebro dos animais, mesmo depois que a substância já tinha deixado de ser detectada nos tecidos.


O estudo foi publicado em Cell Reports.


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