• Sandra Carvalho

Enchentes da Bahia são um sinal da crise do clima?

Veja a resposta dos especialistas em desastres naturais do Cemaden.


Enchente na Bahia
Porto Seguro, no sul da Bahia, em dezembro: o drama das inundações | Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República

As chuvas implacáveis deste verão, que provocaram as enchentes do sul da Bahia em dezembro e agora fazem estragos em Minas Gerais, têm uma ligação óbvia: o fenômeno atmosférico La Niña.


Quem faz essa associação são os técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o #Cemaden, de São José dos Campos, interior do estado de São Paulo.


O que se vê não são apenas extremos de chuva - mas também seca e um calorão atípico no Sul. O fenômeno La Niña acontece em intervalos de dois a sete anos, e mexe muito com a chuva e as temperaturas.


No caso da Bahia, além de La Niña, houve também outra coisa: três episódios próximos do que se chama, no jargão dos meteorologistas, de ZCA - Zona de Convergência do Atlântico Sul, que leva a muita chuva da Amazônia até o Sudeste e o Sul do país.


“Se levarmos em consideração a climatologia da região, não era esperada chuva e muito menos com o volume observado no sul da Bahia para esta época do ano”, declarou José Marengo, pesquisador do Cemaden, à Agência Fapesp.


“As chuvas em dezembro nessa região foram abundantes, irregulares e concentradas em três períodos relativamente curtos. Em razão do volume e da intensidade delas, os impactos foram bastante altos”, ele complementou.


Isso quer dizer que as inundações da Bahia e de Minas Gerais não têm nada a ver com a crise do clima? Longe disso.


“Para cada evento climático extremo recente, como as chuvas no sul da Bahia ou a onda de calor extremo no Sul do Brasil, conseguimos dar uma explicação meteorológica", observou Marcelo Seluchi, coordenador do Cemaden.


"Mas quando juntamos essas situações com as de anos anteriores podemos dizer que, de alguma forma, estamos sendo afetados pelas mudanças climáticas”, ele afirmou. "Eventos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes e já estamos observando isso." ✔︎


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