• Sandra Carvalho

Escolaridade brasileira não dá para começo de conversa

Dados da OCDE mostram o Brasil atrás da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e México.


Campus da UnB, em Brasília: universidade ainda é para poucos | Foto: cc Alexandra Martins/Flickr

Os brasileiros formados em uma universidade não chegam nem a 20% da população adulta do país. O percentual é muito menor do que em países próximos como Argentina (em torno de 35%) ou distantes como o Canadá (quase 60%).


Os dados são da OCDE, a organização para cooperação econômica e desenvolvimento, que fez um estudo sobre a transformação digital do país. A organização reconheceu avanços no acesso à educação no Brasil, mas diagnosticou: o nível de escolaridade continua baixo.


Veja o gráfico da OCDE sobre a população adulta com ensino superior em diversos países em 2018, em percentuais, na faixa etária entre 25 e 64 anos.


Gráfico: OCDE

Segundo os números da organização, mais de 50% dos brasileiros não se formaram nem no ensino médio e 17% não terminaram o ensino fundamental. Entre os países-membros da OCDE, o percentual é de 2%.


A OCDE observou que as matrículas em cursos de formação profissional e de graduação são baixas no Brasil - apenas 3,8% dos alunos optam por cursos técnicos.


Também não deixou passar que os resultados no PISA, teste de avaliação de estudantes da própria OCDE, indicam ensino de baixa qualidade e grandes disparidades sócio-econômicas entre os alunos.


A baixa qualificação, segundo o estudo, impede usuários de internet e trabalhadores usarem tecnologias digitais com eficiência e se beneficiar delas. Cria, assim, uma desigualdade digital de segundo nível.


Impacto em produtividade


A OCDE também relacionou a falta de qualificação com o avanço limitado do Brasil em produtividade.


Entre 2001 e 2013, a produtividade brasileira cresceu anualmente acima da média da OCDE (1,5% contra 1,2%) mas abaixo de outros países do BRIICS (5,1%), segundo dados da organização. BRIICS significa Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul.


Durante a recessão de 2014-2016, a produtividade brasileira caiu, conforme a OCDE (-1,3% ao ano). Depois, voltou a crescer entre 2017 - 2019, mas lentamente demais ( 0,4%), abaixo da OCDE (0,9%) e do BRIICS (3,4%).


Resultado: terminamos 2019 com a produtividade do trabalho estimada em um quarto da dos Estados Unidos, e bem abaixo da do Chile (-34%), México -30%) e Argentina (-26%).


Observe o gráfico comparativo da OCDE sobre o crescimento anual médio da produtividade entre países selecionados entre 2001 e 2019.


Gráfico: OCDE

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