• Sandra Carvalho

Esperma mais antigo do mundo é encontrado em Mianmar

O esperma, de um pequeno crustáceo, é de 100 milhões de anos atrás.


Ostrocodes Myanmarcypris hui durante acasalamento | Ilustração: Dinghua Yang

Uma equipe internacional de paleontólogos descobriu numa amostra de âmbar, em Mianmar, o esperma de um crustáceo minúsculo, o ostracode, de 100 milhões de anos atrás.


Os cientistas acreditam que se trata do esperma mais antigo do mundo já encontrado e conclusivamente identificado. Até agora, esse recorde era de 50 milhões de anos atrás, de um verme, encontrado na Antártica.


O âmbar foi achado em Mianmar na província de Kachin, pródiga em fósseis do período Cretáceo.


As células de esperma estavam num ostracode fêmea, que aparentemente tinha acabado de acasalar, antes de ser engolfada pela resina de alguma árvore. Espermatozoides gigantes foram achados no seu trato reprodutivo.


Espermatozoides gigantes? Sim. Tudo é relativo. A maioria das espécies animais, incluindo os humanos, produz um grande número de espermatozoides pequenos. Ostracodes, da mesma forma que as moscas-das-frutas, produzem um pequeno número de espermatozoides muito grandes, com caudas móveis várias vezes mais longas que o próprio corpo.


"Do ponto de vista evolutivo, a reprodução sexual com a ajuda de espermatozoides gigantes deve ser uma estratégia totalmente lucrativa", notou o paleontólogo Renate Matzke-Karaz, da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique (LMU), um dos pesquisadores.

A espécie de ostracode onde o esperma foi encontrado era desconhecida até agora, e foi batizada de Myanmarcypris hui. O estudo foi publicado no jornal Proceedings of the Royal Society B.


Os ostracodes têm menos de 1 milímetro de comprimento e circulam pelos oceanos, rios e lagos há 500 milhões de anos.


Há milhares de espécies do crustáceo identificadas. Fósseis deles são muito comuns - o que não é comum é eles revelarem os órgãos internos dos animais com tantos detalhes como agora.


Nesse estudo, os ostracodes foram reconstruídos com microscopia de raio X 3D. "Pudemos ver até seus órgãos reprodutivos", comentou o paleontólogo He Wang, da Academia Chinesa de Ciência (CAS) em Nanjing, que liderou a pesquisa. "Quando identificamos o esperma dentro da fêmea, sabendo a idade do âmbar, foi um desses momentos Eureka especiais na vida de um pesquisador."


Ostropodes de Mianmar | Imagem: Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing

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