• Sandra Carvalho

Esquimó virou uma palavra maldita

Os inuítes canadenses não toleram ser chamados de esquimós. E têm feito sua opinião valer.


Time de futebol canadense que se chamava Eskimos: nome ficou para trás | Imagem: Reprodução Facebook/ EE

Os inuítes do Canadá batalham para se livrar da palavra esquimós desde os anos 70, quando começaram a se mobilizar por seus direitos.


Acabam de conseguir uma enorme vitória: o popular time de futebol canadense Eskimos, de Edmonton, desistiu do nome, passando a se chamar, provisoriamente, de EE, enquanto não acha um substituto definitivo.


Há anos os inuítes avisavam que não eram mascotes de futebol, e que o nome Eskimos precisava ser mandado para o museu.


O que os inuítes têm contra a palavra esquimós? Eles dizem que a palavra é obsoleta, ofensiva e racista - nunca foi usada por eles, aliás. Não aceitam que pessoas de fora os definam.


Natan Obed, o principal líder inuíte no Canadá, escreveu um texto antológico em 2015 no Globe & Mail definindo o uso da palavra esquimós no futebol como uma relíquia do poder colonial. Um trecho:


"Essa força permitiu que a identidade indígena fosse apropriada e redefinida como uma ferramenta de branding para o entretenimento não-indígena, numa época em que nossas crianças eram tiradas de nós, nossas terras eram exploradas sem nosso consentimento e nós éramos movidos de um lugar para outro como bandeiras humanas da soberania ártica canadense."


Os inuítes são o menor grupo entre povos indígenas do Canadá, com cerca de 60 mil pessoas. Não querem ficar presos ao estereótipo do esquimó de casacão de pele ao lado de uma foca com um arpão na mão, como definitiu Norma Dunning, professora da Universidade de Alberta, ela própria uma inuíte.


"A palavra "e" remete aos inuítes canadenses de muito tempo atrás, como se não fôssemos pessoas progressistas, que levantam da cama e vão trabalhar como médicos e advogados, enfermeiros e professores", ela observou.


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