• Sandra Carvalho

Essas pedras são mais antigas que as pirâmides do Egito

Elas ficam no deserto da Arábia Saudita, e pertenceram a construções monumentais.


O maior mustatil de todos, de mais de 600 metros | Foto: Huw Groucutt/Instituto Max Planck

Pedras de construções gigantescas de 7.000 anos atrás, no deserto da atual Arábia Saudita, são um dos mistérios mais intrigantes da arqueologia.


Por ali há milhões de estruturas de pedra, grandes o suficiente para serem avistadas de satélites e pelo Google Earth. Uma das que mais desafia a imaginação é chamada de mustatil, que em árabe quer dizer retângulo.


Os mustatils acabam de ser estudados por um time internacional de cientistas liderado pelo Instituto Max Planck, da Alemanha.


Os pesquisadores descobriram que os mustatils típicos consistem de duas plataformas grandes, conectadas por muros paralelos e baixos que às vezes chegavam a 600 metros de comprimento.


Como não foram encontradas ferramentas por ali, os cientistas supõem que os mustatils não tinham objetivo utilitário, como por exemplo armazenar água e abrigar animais.


"Nossa interpretação é que os mustatils eram lugares de rituais, onde as pessoas se encontravam para algum tipo de de atividade social", observou Huw Groucutt, do Instituto Max Planck, principal autor do estudo.


Os mustatils se encontram no norte da atual Arábia Saudita, uma região que era muito diferente de hoje 7.000 anos atrás. Chovia mais, havia pastagens e lagos - o que permitia que grupos de pastores vivessem por ali. Mas a vida não devia ser fácil, pois a ameaça de seca era constante.


Os cientistas acham que os mustatils foram erguidos como um mecanismo social para viver nessa paisagem desafiadora mais de dois mil anos antes do início da construção das pirâmides do Egito.


O estudo foi publicado no jornal The Holocene.


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