• Sandra Carvalho

Esse é o Homo bodoensis, nosso ancestral

Ele viveu na África 500 mil anos atrás, e acaba de ganhar um nome próprio.


Homo bodoensis
Homo bodoensis: uma nova espécie de ancestral humano | Ilustração: Ettore Mazza/Universidade de Winnipeg

Há um novo nome no círculo dos ancestrais diretos dos humanos modernos. É o Homo bodoensis, adotado por um grupo internacional de cientistas. Ele viveu na África aproximadamente 500 mil anos atrás.


O novo nome surgiu de uma reavaliação dos fósseis encontrados na África e na Eurásia no período Pleistoceno Médio, atualmente chamado de Chibaniano, que vai de 774 mil a 129 mil anos atrás.


Esse período é absolutamente vital para a evolução humana - foi nessa época que a nossa espécie, o Homo sapiens, surgiu na África, e o neandertal, o Homo neanderthalensis, emergiu na Europa.


Os cientistas, liderados pela paleoantropóloga Mirjana Roksandic, da universidade canadense de Winnipeg (#UWinnipeg), atribuíram ao Homo bodoensis fósseis antes identificados como Homo heidelbergensis ou Homo rhodesiensis.


Suas razões? Análises de DNA mostraram recentemente que fósseis europeus tidos como de homo heildelbergensis eram de fato os primeiros neandertais, tornando o uso do nome dispensável. A mesma coisa se repetiu na Ásia, segundo os pesquisadores.


Na África, os fósseis desse período foram chamados ora de homo heildebergensis ora de homo rhodesiensis, uma designação considerada imprecisa pelos pesquisadores e uma indevida homenagem a Cecil Rhodes, símbolo do imperialismo britânico e da supremacia branca na África.


Bom, agora isso é passado, sepultado pelo homo bodoensis. O novo nome bodoensis se refere a um crânio encontrado em Boido D'Ar, na Etiópia, e vai abranger a maioria dos humanos do Pleistoceno Médio na África e alguns no sudeste da Europa.


“Os termos precisam ser claros na ciência para facilitar a comunicação", observou Predrag Radović, da Universidade de Belgrado (#UniversidadedeBelgrado), um dos autores do estudo. "Eles não devem ser tratados como absolutos quando contradizem o registro fóssil.”


O estudo foi publicado em Evolutionary Anthropology.


Rosto do Homo bodoensis
Recriação artística do Homo bodoensis | Ilustração: Ettore Mazza/Universidade de Winnipeg

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