• Sandra Carvalho

Esse hadrossauro japonês desmonta velhas suposições

Pelo jeito, os dinossauros com bico de pato saíram da Ásia para América, e não o contrário.


Yamatosaurus izanagii
Yamatosaurus izanagii, ao centro: um hadrossauro avançado | Ilustração: Masato Hattori/SMU

Os hadrossauros, com seus marcantes focinhos achatados, como se fossem bicos de pato, são dos dinossauros mais comuns. De tempos em tempos novas espécies, até então desconhecidas, são identificadas.


A última novidade na área é o Yamatosaurus izanagii, um novo gênero e uma nova espécie de hadrossauro encontrado na ilha Awaji, no sul do Japão.


Os restos do animal foram achados por um caçador amador de fósseis, Shingo Kishimoto, e doados por ele ao Museu de Natureza e Atividades Humanas do Japão na Prefeitura de Hyogo.


Kishimoto localizou o fóssil do novo hadrossauro em 2004, num sedimento datado de aproximadamente 71 a 72 milhões de anos, e agora, devidamente estudado, o Yamatosaurus izanagii está sendo apresentado ao mundo.


O estudo sobre o novo dinossauro com bico de pato foi publicado na Scientific Reports por três cientistas japoneses e um americano.


Os hadrossauros viveram no período Cretáceo Superior, há mais de 65 milhões de anos, e deixaram vestígios na América do Norte, Europa, África e Ásia.


Imaginava-se que tinham migrado da América do Norte para a Ásia, mas o fóssil do Yamatosaurus izanagii sugere que, ao contrário, eles migraram da Ásia para a América.


Segundo os pesquisadores, os hadrossauros podem ter usado a Ponte Terrestre de Bering para ir da Ásia até o Alasca atual e a partir daí se espalharam pela América do Norte.


(Quando os hadrossauros viviam no Japão, o território ainda não havia se separado da costa da Ásia - isso aconteceu 15 milhões de anos atrás, bem depois da extinção dos dinossauros).


"A ajuda de caçadores de fósseis amadores tem sido muito importante", comentou Yoshitsugu Kobayashi, professor do Museu da Universidade de Hokkaido (#Hokudai), um dos autores do estudo.


O Yamatosaurus izanagii é um exemplar de hadrossauro mais evoluído, que já tinha passado a andar nas quatro patas, em vez caminhar de pé, como seus ancestrais bípedes.


Esse é o segundo fóssil de hadrossauro japonês que Kobayashi identifica trabalhando junto com Tony Fiorillo, paleontólogo da Universidade Metodista do Sul (#SMU), de Dallas, Texas.


Em 2019, os dois descreveram o maior esqueleto de dinossauro já achado no Japão, também um hadrossaurídeo, descoberto em Hokkaido, no norte do país.


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