• Sandra Carvalho

Este peixe da Amazônia dá o maior choque elétrico do mundo animal

O peixe-elétrico poraquê emite descarga de até 860 volts.


Peixe-elétrico: nova exibição da biodiversidade da Amazônia | Foto: L. Souza

O peixe-elétrico poraquê é um velho conhecido dos homens: foi registrado em 1766 pelo naturalista sueco Car Linnaeus como Electrophorus electricus.


Mas agora um grupo de cientistas descobriu que não se trata de apenas uma espécie de poraquê, mas de três.


As duas novas espécies identificadas foram batizadas de Electrophorus voltai (homenagem ao inventor da bateria elétrica, Alessandro Volta) e Electrophorus varii (homenagem ao zoólogo Richard Vari).


Os cientistas são ligados à Fapesp, Smithsonian Institution, National Geographic Society e Museu de Zoologia da USP.


O choque dos peixes-elétricos, de até 860 volts, o mais potente entre todos os animais, não pareceu necessariamente perigoso a humanos para os cientistas.


Usado para defesa e para fazer presas em ações predatórias, tem apenas um ampere. Uma tomada elétrica comum tem 10 ou 20 amperes.


O choque dos peixes-elétricos não mata uma pessoa saudável, mas pode ser ameaçador para quem tem problemas de coração. Também pode levar alguém a se afogar.


"O choque atordoa a vítima", define Carlos David de Santana, pesquisador do Museu de História Natural dos Estados Unidos. "É forte o suficiente para ajudar o peixe a capturar uma presa ou afastar um predador."


Santana em campo, com um peixe-elétrico | Foto: D. Bastos

Os peixes-elétricos, que podem chegar a 2 metros e meio, se encontram em rios, pântanos, córregos e riachos da Bacia Amazônica. A descoberta foi publicada no jornal Nature Communications.


O trio de peixes-elétricos não mudou muito ao longo de 10 milhões de anos de evolução. O E. electricus vive no norte da Amazônia, no Escudo da Guiana, região compartilhada pelo Brasil, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.


O E. voltai, que dá a maior descarga elétrica produzida por um animal, se concentra no Escudo Brasil, área do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. E o E. varii fica na região mais baixa da Amazônia.


Esse vídeo de 3 minutos da Fapesp mostra os bastidores da investigação sobre os peixes-elétricos.



#Amazônia #Biologia #Fapesp #NovasEspécies #Peixes #USP #Zoologia