• Sandra Carvalho

Este rato vive perigosamente: é praticamente um herói

Sua missão: detectar minas de guerra na África e na Ásia.


Rato-de-bolsa-gigante
Rato-de-bolsa-gigante: encontrado na África subsaariana | Foto: reprodução Facebook/Apopo

Detectar minas abandonadas em antigos cenários de guerra é uma missão muito arriscada - qualquer pressão de 5 quilos sobre os explosivos manda tudo para os ares. Como evitar o perigo?


A organização belga-americana Apopo recorre há anos a ratos-de-bolsa-gigantes (Cricetomys ansorgei), que mal chegam a 1,3 quilos e passam ilesos pelas minas, têm olfato muito sensível e são fáceis de treinar.


Os ratos fazem a parte mais perigosa de livrar o solo das minas, mas não poupam inteiramente os humanos do risco.


Depois que os animais detectam as minas, as pessoas aproximam para retirar os explosivos, com a vantagem de que já sabem para aonde ir e onde é seguro pisar.


Os ratos-de-bolsa-gigantes têm esse nome porque guardam e transportam comida em bolsas nas bochechas. Eles podem chegar a 30 cm de comprimento, com um rabo que fica entre os 30 e 35 centímetros.


São onívoros e noturnos - se expostos muito ao sol, costumam desenvolver câncer nas orelhas. Por isso, a Apopo evita trabalhar com eles nas horas de maior insolação.


Rato da Apopo
Rato a serviço: como os animais são leves, não acionam as minas | Foto: Apopo

O trabalho com os ratos envolve a Apopo, a Universidade Agrícola Sokoine (#SUA), de Morgoro, Tanzânia, e biólogos e especialistas em roedores da Universidade da Antuérpia (#UA), na Bélgica.


Os animais detectam minas atualmente no Camboja, Angola, Zimbábue e Moçambique. Já fizeram esse trabalho também no Vietnã, no Laos e na Tailândia.


O trabalho dos ratos-de-bolsa-gigante não se resume a detectar minas - eles são empregados pela Apopo também para identificar tuberculose em amostras de exames médicos e flagrar o tráfico ilegal de produtos feitos com animais selvagens. ✔︎


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