• Sandra Carvalho

Etiópia, a nova fronteira da indústria da moda. Adivinhe o porquê

O salário mínimo médio das costureiras etíopes é de 26 dólares por mês.


Costureiras na Etiópia: salário mínimo informal de 26 dólares | Foto: Centro Stern/Universidade de Nova York

A indústria da moda procura salários baixos tão agilmente quanto a fast fashion troca as roupas em suas lojas. Com a Ásia ficando cara, agora se volta para a África. A Etiópia é atualmente a nova fronteira das confecções.

Sua grande atração: salário mínimo médio de 26 dólares por mês (cerca de 103 reais). Salário mínimo informal, e três vezes mais baixo que em Bangladesh (95 dólares) e 12 vezes menor do que recebem trabalhadores chineses na área de Shenzen.

Os dados são do estudo Made in Ethiopia, do Centro Stern de Negócios e Direitos Humanos da Universidade de Nova York.

Como se explica um salário de apenas 26 dólares (cerca de 103 reais) ? A Etiópia país é um dos mais pobres do mundo, com renda per capita anual de 783 dólares (para comparação, a do Brasil é de 9.812 dólares).

O país tem uma população grande, de 105 milhões de pessoas, com 23% delas abaixo da linha de pobreza. Precisa desesperadamente de empregos.

Marcas como a sueca H&M e as americanas Calvin Klein e Tommy Hilfiger trabalham com dezenas de milhares de funcionários locais no Parque Industrial Hawassa, perto da capital, Adis Abeba.

Segundo o Centro Stern, os 26 dólares não cobrem casa decente, comida e transportes. É comum quatro funcionárias se espremerem num único cômodo - normalmente elas são de famílias pobres da área rural.

Nas fábricas, aponta o estudo, o treinamento é pouco, a produtividade é tipicamente baixa e os trabalhadores, desiludidos.

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