• Sandra Carvalho

Faça um favor a si mesmo: fique longe de chumbo

O metal é responsável por 900 mil mortes por ano em todo o mundo.


Metalúrgica abandonada de Utah, que processava cobre, ouro, prata e chumbo | Foto: cc Thomas Hawk/Flickr

Traços de chumbo são encontrados naturalmente na terra, na água e nas plantas - o metal faz parte da crosta terrestre. Para fazer mal, ele precisa ser extraído e virar matéria-prima da indústria. Hoje, usado principalmente nas baterias dos carros, o chumbo virou um metal homicida.


Aproximadamente 900 mil pessoas morrem por ano contaminadas por chumbo no mundo, segundo as estimativas do IHME, o instituto de Métricas da Universidade de Washington.


Mais 815 milhões de crianças e adolescentes têm concentrações perigosas do metal no sangue.


Os dados estão num relatório da Unicef e da organização Pure Earth sobre a exposição infantil ao chumbo. Os 815 milhões de crianças e adolescentes têm acima de 5 microgramas por decilitro (µg/dL) chumbo no sangue e o futuro comprometido.


Nesses níveis, o chumbo pode levar a uma redução de três a cinco pontos do quociente de inteligência, à diminuição da capacidade de atenção e, mais tarde, a um aumento da agressividade. Esses problemas acontecem sobretudo nos países mais pobres e de renda média.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, a OMS, não há níveis seguros de chumbo no sangue. O metal é uma neurotoxina que faz estragos graves no coração, pulmões e rins e fígado, provoca abortos e partos prematuros. Acumula-se no organismo para sempre. Acima de 150 µg/dL, é sentença de morte.


Criança em Bangladesh trabalha com baterias | Foto: Unicef/Shafiqul Kiron

Os moradores de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, o pior caso de envenenamento de chumbo no Brasil, conhecem de perto esses efeitos do metal.


Uma fábrica de chumbo, a Cobrac, contaminou seus funcionários, poluiu a cidade e o seu rio Subaé até falir, em 1993, deixando um rastro de doença e destruição por décadas. Caetano Veloso, que nasceu em Santo Amaro, escreveu "Purificar o Subaé", se referindo a isso.


Os estragos óbvios não significam que o chumbo já foi cortado e substituído por outras matérias-primas em tudo o que poderia. Saiu da gasolina, mas subsiste até mesmo em produtos que entram em contato muito próximo com as pessoas.


A Anvisa, por exemplo, autoriza o metal nas tinturas de cabelo, desde que não passe de 0,6% da composição do produto. Toma apenas o cuidado de advertir que essas tinturas não podem ser usadas nas sobrancelhas ou nos bigodes.


Hoje 85% do chumbo é usado para produzir as baterias de chumbo-ácido dos carros, e boa parte vem das baterias usadas. É na reciclagem descuidada dessas baterias que boa parte dos danos acontecem, prejudicando a saúde das pessoas e poluindo o ambiente à volta.


Mas o chumbo pode ser encontrado também em outras coisas, com variação de país para país - nos canos das casas e dos prédios, na solda das latas de alimentos, na tinta de paredes, em cerâmicas, temperos, cosméticos, brinquedos e uma muitos outros produtos de consumo.


Veja mais: Onde vivem as crianças mais contaminadas por chumbo


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