Falar sozinho na terceira pessoa é esquisito? Pode ser, mas é ótimo para autocontrole

Imagens de ressonância magnética funcional e eletroencefalografias comprovam isso.


Testes: falar na terceira pessoa envolve menos emoções   |  Foto: Universidade Estadual de Michigan

Cientistas americanos garantem que falar sozinho na terceira pessoa ajuda a controlar as emoções com mínimo esforço.


E têm provas para defender sua tese: eletroencefalografias e imagens de ressonância magnética funcional do cérebro de 50 pessoas.


Os cientistas, da Universidade Estadual de Michigan (MSU) e da Universidade de Michigan (UMich), partem do princípio de que todos nós falamos sozinhos em nossas reflexões. E argumentam que a maneira de falar sozinho faz toda a diferença em autocontrole das emoções em horas de stress.


Usar o nome próprio, em vez do pronome "eu", aumentaria a capacidade das pessoas de "controlar o pensamento, os sentimentos e o comportamento" em horas de tensão.


Os cientistas afirmam que falar sozinho em primeira pessoa numa hora de stress exige um certo esforço mental, pois depende bastante de mecanismos de controle para abafar emoções. Falar sozinho na terceira pessoa, não, pois envolve menos as emoções.


"Usar a terceira pessoa leva você a pensar sobre si próprio de maneira similar a que pensa sobre outros, e há provas disso no cérebro", diz um dos cientistas, Jason Moser, professor de psicologia da MSU, num comunicado da universidade.


"Isso ajuda as pessoas a ganhar um pouquinho de distância psicológica de suas experiências, o que pode ser útil frequentemente para regular as emoções", completa.


A pesquisa foi publicada no dia 3 de julho no jornal Scientific Reports, do grupo Nature. Ela analisou o comportamento de 52 pessoas, de idade média de 20 anos, 71% brancas, todas com inglês como língua-mãe. Por problemas técnicos, foram usados dados de apenas 50.


No estudo, foram feitos dois testes. No primeiro, realizado no laboratório clínico de psicofisiologia Moser, as pessoas olharam imagens neutras e perturbadoras e reagiram a elas usando a primeira e a terceira pessoas. Enquanto isso, eram monitoradas por eletroencefalogramas.


Quando se referiam a si próprias na terceira pessoa, mesmo vendo imagens violentas, os eletroencefalogramas registravam uma queda na atividade emocional em apenas um segundo.


No segundo teste, realizado no laboratório Emoção e Autocontrole, as pessoas rememoraram experiências passadas dolorosas falando na primeira e na terceira pessoa, sendo monitoradas por ressonância magnética funcional.


As imagens indicaram que ao usar a terceira pessoa as áreas do cérebro normalmente acionadas em reflexões de experiências emocionais penosas ficavam menos ativas.


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