• Sandra Carvalho

Fim do segredo das múmias mais enigmáticas da Ásia

A origem das múmias da Bacia do Tarim, em Xinjiang, foi revelada por seu genoma.


Múmia
Uma múmia feminina do Cemitério Xiaohe: origem revelada | Foto: Wenying Li/Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia de Xinjiang

As múmias da Idade do Bronze da Bacia do Tarim, de Xinjiang, China, desafiaram a curiosidade do mundo desde os anos 90, quando foram encontradas. Mas agora seu enigma se desfez, graças um grupo internacional de cientistas.


Restos humanos naturalmente mumificados, datados de 2000 a.C a 200 d.C, foram encontrados às centenas em meio ao deserto da bacia do Tarim, sepultados em barcos, no que é chamado hoje de Cemitério Xiahoe.


As múmias vestiam roupas tecidas em lã e denotavam uma economia agropastoril. Foram encontrados sinais indicativos de animais como vacas, ovelhas e cabras, e de alimentos como trigo, cevada, painço e queijo.


Como a bacia do Tarim fica na região autônoma uigur de #Xinjiang, que faz parte da Rota da Seda, onde confluem geograficamente as culturas oriental e ocidental, pensou-se que as múmias que eram de indo-europeus vindos do Ocidente.


Vários cientistas chegaram a supor no passado que as pessoas mumificadas eram descendentes de pastores yamnaya da Idade do Bronze, que tinham vindo da região do Mar Negro, no sul da Rússia.


Cemitério Xiaohe
Cemitério Xiaohe, com seus caixões em forma de barco | Foto: Wenying Li/Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia de Xinjiang

Cientistas das universidades chinesas de Pequim (#PKU) e #Jilin, #Harvard e de vários institutos Max Planck da Alemanha conseguiram esclarecer as dúvidas examinando 13 das múmias, das mais antigas, datadas de 2100 e 1700 a.C.


Estudando seu genoma, descobriram que não eram de fora, mas do próprio lugar, descendentes de uma população conhecida como antigos eurasianos do norte, que praticamente desapareceu na última Idade do Gelo.


Apenas uma fração do genoma dessa população subsiste hoje nas populações atuais, sobretudo nos indígenas da Sibéria e das Américas. O estudo foi publicado na Nature.


As múmias não exibiram nenhuma evidência de mistura genética, o que sugere que sua população passou por um período de isolamento genético antes de chegar a Tarim.


"Apesar de estarem geneticamente isolados, os povos da Idade do Bronze da Bacia do Tarim eram notavelmente cosmopolitas do ponto de vista cultural", observou Christina Warinner, de Harvard e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig (#MPG), uma das autoras do estudo.


"Eles construíram sua culinária em torno do trigo e laticínios da Ásia Ocidental, milho do Leste Asiático e plantas medicinais como a efedra da Ásia Central".


Túmulo de Xiaohe
Um caixão típico, coberto com pele de vaca | Foto: Wenying Li/Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia de Xinjiang

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