• Sandra Carvalho

Florestas regeneradas fulminam carbono no Brasil

Elas absorvem 11 vezes mais carbono do que as florestas antigas, mostra estudo do INPE.


Florestas regeneradas: elas já chegam a 263 mil km2 no país | Foto: Guilherme Rousseau/Fapesp

Até agora, o Brasil não sabia quanto tinha de florestas desmatadas e depois abandonadas, entregues à recuperação por conta própria. Um estudo do INPE mostrou que essas florestas secundárias recuperadas chegam a 263 mil km2 no país.


Os pesquisadores mapearam pela primeira vez as florestas secundárias de todos os 6 biomas do país a partir de imagens de satélites, usando a plataforma do Google Earth. O estudo foi publicado no jornal Scientific Data.


A cobertura de florestas no Brasil caiu de 4,6 milhões de km2 em 1985 para 4,1 milhões em 2018, uma redução de 12%, equivalente à área da Espanha. Com o desmatamento, perdeu-se a capacidade dessas árvores absorverem carbono e mitigarem a mudança de clima.


É aí que entram as florestas secundárias, com capacidade 11 vezes maior de absorver carbono em regiões neotropicais, segundo o estudo do INPE.


Entre 1988 e 2018, essas florestas absorveram 784 milhões de toneladas de carbono da atmosfera, de acordo com a pesquisa.


"Além de sua importância no combate à atual crise climática, absorvendo o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, as florestas secundárias são importantes para a recuperação da biodiversidade, garantia do suprimento de água e polinização", nota Celso Silva Júnior, especialista em sensoriamento remoto do INPE e um dos autores do estudo.


A maior parte das florestas secundárias recuperadas está na Amazônia ( 56,1%) e na Mata Atlântica (26,7%). Seguem-se o Cerrado (12,9%) a Caatinga (2,3%), o Pampa (0,9%) e o Pantanal (0,4%). As áreas recuperadas mais antigas ficam na Mata Atlântica.


O estudo focou nas florestas secundárias entre 1986 e 2018. Com essas florestas mapeadas, fica mais fácil evitar que sejam destruídas. “Elas não são protegidas e prestam um grande serviço", observa Luiz Eduardo Cruz de Aragão, outro dos autores do estudo.


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