• Sandra Carvalho

Florestas tropicais não suportam mais que 32º C

225 cientistas se unem para ver o que é preciso para a sobrevivência das florestas.


Amazônia: perda de 30 a 40% da floresta significa ponto de não retorno | Foto: cc 4.0 Imaflora/Wikimedia Commons

Qual é a temperatura máxima que as florestas tropicais podem suportar? Um time de 225 cientistas espalhados pelo mundo respondeu: localmente, a temperatura das florestas não pode ultrapassar 32,2º C durante o dia.


Essa é a condição que permite que as florestas tropicais se adaptem à mudança de clima e sobrevivam, armazenando carbono e mitigando a mudança de clima.


As árvores das florestas tropicais armazenam o correspondente a 25 anos de emissões de combustíveis fósseis do globo inteiro, dizem os cientistas.


Mas como elas sobreviveram até agora, se a Terra já atravessou outras épocas de temperatura alta?


A diferença é de tempo - o clima esquentou lentamente das outras vezes, dando o prazo necessário para que as florestas se adaptassem. Agora, o aquecimento causado pelas atividades humanas é muito acelerado.


O estudo dos 225 cientistas, publicado na Science, foi liderado pela Universidade de Leeds.


Os pesquisadores mediram meio milhão de árvores em 813 florestas na América do Sul, África e Ásia para averiguar quanto carbono é armazenado em diferentes condições climáticas.


Foram considerados a altura o diâmetro de cada árvore e identificadas em torno de 10 mil de espécies de árvores em 24 países tropicais.


A conclusão é que florestas intactas podem armazenar grandes quantidades de carbono mesmo com temperaturas mais altas, desde que os termômetros não ultrapassem 32,2º C nas próprias florestas.


"Ainda temos uma chance de salvar as florestas tropicais e tudo o que elas representam para o equilíbrio do planeta. Mas é preciso cumprir a meta global de manter o aquecimento abaixo dos 2 graus, e, localmente, defender as florestas de toda ação predatória."

De acordo com os pesquisadores, as florestas tropicais têm capacidade de se adaptar a mudança de clima a longo prazo em parte por causa da alta biodiversidade de suas árvores. São capazes de ir substituindo as espécies que não se adaptam bem por outras mais resistentes ao aquecimento.


Acima de 32 graus C, a capacidade de reter carbono é bem comprometida. Segundo o estudo, cada grau a mais significa que as árvores liberam quatro vezes mais dióxido de carbono (CO2) do que seria armazenado abaixo dessa temperatura.


Para aproveitar todo o potencial das florestas de "limpar" o meio ambiente é preciso que elas sejam mantidas intactas, conforme os cientistas.


"Nossos resultados sugerem que florestas intactas são capazes de enfrentar alguma mudança de clima", afirmou a professora Beatriz Marimon, da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), que participou do estudo.


"Mas essas árvores tolerantes ao calor enfrentam ameaças imediatas do fogo e da fragmentação. Conseguir adaptação climática significa em primeiro lugar proteger e conectar as florestas que restam."


Outro cientista brasileiro que participou do estudo, Luiz Aragão, pesquisador do INPE, alertou que a destruição de 30% a 40% de uma floresta exuberante como a Amazônia pode levar a um ponto de não retorno, pois a fragmentação cria bordas extremamente susceptíveis.


"Nosso estudo mostrou que ainda temos uma chance de salvar as florestas tropicais e tudo o que elas representam para o equilíbrio do planeta", disse em entrevista à agência Fapesp. "Mas é preciso cumprir a meta global de manter o aquecimento abaixo dos 2 graus, e, localmente, defender as florestas de toda ação predatória."


Veja mais: Água parada marca a Amazônia desmatada


#Amazônia #Carbono #CO2 #FlorestasTropicais #INPE #Unemat #UniversidadedeLeeds