• Sandra Carvalho

Focas se transformam em detetives na Antártica

Elas informam sobre o derretimento de uma geleira durante o inverno no mar de Amundsen.


Foca-de-wedell: uma das espécies recrutadas para levantar informações| Foto: cc Martha de Jong-Lantink/Flickr

Sete focas-de-wedell e sete elefantes-marinhos-do-sul, conhecidos como focas-elefantes, viraram detetives do degelo da Antártica.


Com pequenos data loggers na cabeça, eles recolhem dados das águas derretidas da geleira da ilha de Pine, no mar de Amundsen, no oeste da Antártica.


Graças às focas, conhece-se mais, pela primeira vez, a água do degelo glacial no inverno, quando a temperatura é tão fria na região que inviabiliza a coleta de informações com navios e aviões.


Pesquisadores da Universidade de East Anglia (UEA), de Norwich, na Inglaterra, usaram os dados de um ano levantados pelas focas para estudar a influência das águas derretidas da geleira da ilha no clima e na elevação do nível do mar.


O estudo foi publicado jornal Communications Earth & Environment.


Os data loggers (registradores de dados) carregados pelas focas podem capturar informações como a temperatura e a salinidade da água a até 2.000 metros de profundidade. Esses são dois indicadores que mudam com a água do degelo.


Essa água de degelo não se mistura bem com a água ambiente - é mais quente, mais fresca e mais leve, com probabilidade maior de subir à superfície. Os dados são coletados quando as focas mergulham e depois enviados por satélites para pesquisadores.


A geleira da ilha de Pine está encolhendo rapidamente, como muitas outras na Antártica, influenciando o clima da região. Com seu calor, a água do degelo dificulta a formação de gelo marinho, favorece o derretimento das geleiras e impulsiona o crescimento de algas.


Foca com o data logger na ilha de Pine | Foto: Guilherme Bortolotto/Universidade St. Andrews

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