• Sandra Carvalho

Fome, ainda uma rotina para 821 milhões de pessoas

A fome estava recuando no mundo, mas nos últimos anos voltou a aumentar.


Garota em Kampala, Uganda: pobreza radical | Foto: Bill Wegener/Unsplash

Em pleno século 21, 821 milhões de pessoas ainda passam fome, segundo os dados da ONU. A cada 100 pessoas, 11 não têm o suficiente para comer.


A fome está aumentando em quase todas as regiões da África e, numa menor medida, também na América Latina e em partes da Ásia.


O último estudo sobre fome e nutrição da FAO (Organização para Alimentação e Agricultura da ONU) em 2019 aponta, além de mais de 820 milhões de famintos, dois bilhões de pessoas que vivem em estado de insegurança alimentar severa ou moderada.


Paradoxalmente, os problemas de sobrepeso e obesidade também aumentam no mundo inteiro.


Durante décadas o nível de fome recuou gradativamente, mas a partir de 2015 a tendência se reverteu. O número absoluto de pessoas que passam fome passou a aumentar ano a ano, com os níveis de fome se mantendo perto de 11% da população mundial. Veja no gráfico.


Em laranja, a evolução de famintos em milhões. Em cinza, o percentual da população | Gráfico: FAO/ONU

O Índice Global da Fome de 2019, elaborado pelas organizações Welt Hunger Hilfe e Concern Worldwide, mostra que os principais focos de fome no mundo se concentram na África subsaariana e no sul da Ásia.


Na República Central-Africana (RCA), sempre envolvida em golpes de estado e guerras civis, a fome é extremamente alarmante, segundo o índice. Em outros quatro países africanos - Chade, Madagascar, Iêmen e Zâmbia - a situação é considerada simplesmente alarmante.


O Índice Global da Fome de 2019 lista 117 países, dos quais 43 com níveis sérios de fome. Entre os critérios do índice estão malnutrição, crianças abaixo do peso, crianças com altura insuficiente e mortalidade infantil.


O Brasil não emplacou no primeiro grupo do ranking, dos 17 países que têm problemas mínimos de fome - privilégio de ex-repúblicas soviéticas, do rico Kuwait, Chile, Cuba e Uruguai. Para entrar nesse grupo, o score deveria ser inferior a 5.


O Brasil cravou 5,3, e ficou em 18º lugar no ranking, à frente de países como Argentina, Rússia e China. Todos os países com score inferior a 9,9 (46 no total) foram considerados como de baixo nível de fome.


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