• Sandra Carvalho

Fritou, grelhou, tostou? Ferrou, se for carne vermelha

Ao contrário dos chefs, médicos australianos dizem que nada disso faz bem.


Carne vermelha em alta temperatura: perigo dobrado | Foto: cc0 James Sutton/Unsplash

Se você prestar atenção no que médicos da Universidade do Sul da Austrália (UniSA) estão dizendo, vai ter de jogar fora as dicas dos melhores chefs do mundo sobre preparo de carne vermelha.


Consumir carne vermelha ou processada, dizem eles, por si só já aumenta o risco de doenças do coração, derrames e complicações de diabetes. Consumir essas carnes preparadas em alta temperatura, então, seria mais risco ainda.


O estudo, feito junto com cientistas coreanos da Universidade Nacional Gyeongsang (GNU), foi publicado no jornal Nutrients.


"Quando a carne vermelha é preparada em altas temperaturas, grelhada, assada ou frita, cria compostos chamados produtos finais de glicação avançada - os AGEs", explica o médico Permal Deo, da UniSA, um dos autores do estudo.


Acumulados no corpo, os AGEs podem interferir nas funções normais das células, com consequências graves.


Segundo os pesquisadores, níveis mais altos de AGEs podem contribuir para o enrijecimento vascular e do miocárdio, inflamação e estresse oxidativo, indicativos de doença degenerativa.


O estudo testou o impacto de duas dietas - uma com muita carne vermelha e grãos processados e outra com bastante grãos integrais, nozes variadas, legumes e carne branca preparada a vapor, fervura, cozimento e escalfamento (cozimento em líquido abaixo do ponto de fervura).


Resultado: a dieta rica em carne vermelha aumentou significativamente os AGEs no sangue, numa sugestão de que favorece as doenças, mas a dieta mais saudável, não.


"A mensagem é clara: se queremos reduzir o risco de doenças cardíacas, precisamos reduzir a quantidade de carne vermelha ou ser mais cuidadosos sobre como a cozinhamos" afirma Peter Clifton, outro autor do estudo da UniSA.


"Fritar, grelhar e tostar podem ser os métodos preferidos dos melhores chefs, mas não a melhor escolha para as pessoas que procuram reduzir os riscos de doenças", ele argumenta. "As refeições cozidas lentamente podem ser uma opção melhor para saúde a longo prazo."


Veja mais: Viu esse bacon, que parece delicioso? Ele é feito de fungos