• Sandra Carvalho

Documentado: o rastro destrutivo do garimpo de ouro

No Escudo das Guianas, árvores penam para brotar de novo após a mineração.


Garimpo de ouro na Guiana: perda da floresta | Foto: Michelle Kalamandeen

O garimpo de ouro corre solto no Escudo das Guianas, uma região da Amazônia formada pela Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Brasil e Colômbia. É o responsável por 90% do desmatamento na região.


Uma equipe da Universidade de Leeds foi para lá conferir o estrago que a corrida ao ouro provoca na floresta. Ali as árvores contêm aproximadamente 20 bilhões de toneladas de carbono, dando uma colaboração e tanto ao meio ambiente.


O estudo, publicado no Journal of Applied Ecology, mostrou um rastro de destruição duradouro do garimpo de ouro, que subsiste vários anos depois que a mineração local é abandonada. A pesquisa acompanhou esse rastro na área da Amazônia na Guiana.


Depois que a mineração se esgota num local, os garimpeiros se vão. Ficam a terra nua e contaminada pelo mercúrio, os poços do garimpo, as grandes poças de rejeito da mineração.


Nesses locais, o estudo mostra, as taxas de recuperação da mata estão entre as mais baixas já registradas em florestas tropicais no mundo. Há trechos sem qualquer regeneração da floresta mesmo depois de três ou quatro anos da mineração abandonada.


Os cientistas sugerem que essa perda não pode ser reposta com a regeneração natural da floresta, mas exige um gerenciamento extra.


"O processo de extração do ouro tirou do solo o nitrogênio, um componente crítico da recuperação das florestas" observou Michelle Kalamandeen, a principal autora do estudo.


A pesquisa mostrou que os locais de mineração ativos tinham 250 vezes mais mercúrio que os abandonados, contaminando tanto as florestas e os rios próximos.


Analisando amostras do solo, a equipe notou que a falta de nitrogênio limitava mais a recuperação das florestas que o mercúrio.


Mas ressaltou que a alta taxa de mercúrio tinha implicações sérias para a comida da população local, pela contaminação dos rios, que são uma fonte de alimentos importante na região.


O estudo registrou também a contaminação dos suprimentos de água e um impacto do mercúrio na biodiversidade local.


Veja os cenários que Michelle Kalamandeen fotografou na região perto de Madhia, na Guiana:



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