• Sandra Carvalho

Geleiras da Groenlândia já parecem irrecuperáveis

A neve que cai já não consegue repor o gelo que flui delas para o oceano Atlântico.


Ilulissat, na Groenlândia: perdas sem fim de gelo | Foto: cc0 Jennifer Latuperisa Andresen/Unsplash

Mesmo que o aquecimento global acabasse hoje, o manto de gelo que cobre a Groenlândia continuaria diminuindo. Esse vaticínio sombrio é de cientistas da Universidade Estadual de Ohio (Ohio State). Eles estimam que já se chegou a um ponto sem retorno.


A Groenlândia é a maior ilha do mundo, um território autônomo da Dinamarca, que fica entre os oceanos Ártico e Atlântico. Quase 80% de sua superfície são cobertos por um manto de gelo.


Os cientistas da OSU analisaram a evolução de 200 grandes geleiras da Groenlândia, baseados em quase 40 anos de dados de satélite.


Eles acompanharam quanto do gelo dessas geleiras se quebra em icebergs e quanto derrete e vai para o oceano. Avaliaram também a quantidade de neve que cai todos os anos.


Segundo a pesquisa, durante os anos 80 e 90 do século 20 houve um equilíbrio entre o gelo acumulado com a neve e o que se perdeu com icebergs e derretimento. Eles calcularam a quantidade perdida e reposta: 450 gigatoneladas por ano.


Em torno de do ano 2000, segundo o estudo, as geleiras já estavam perdendo 500 gigatoneladas por ano, sem que a neve aumentasse. Na última década, a perda de gelo se manteve. "Vamos ter ainda mais perdas", advertiu Michaela King, pesquisadora da Ohio State e principal autora do estudo.


Elevação dos mares


A previsão dos cientistas, se o clima continuar como agora, é que o manto de gelo da Groenlândia só aumente sua massa em 1 a cada 100 anos. O estudo foi publicado no jornal Communications Earth & Environment.


Os pesquisadores calculam que as grandes geleiras da Groenlândia tenham recuado cerca de 3 quilômetros na média de 1985 em diante.


"O recuo das geladeiras levou a dinâmica da camada de gelo a um estado constante de perda", observou Ian Howat, professor de Ciências da Terra da Ohio State e um dos autores do estudo.


O problema, claro, não se limita à Groenlândia. O estudo alerta que o gelo que derrete por lá ou se quebra em icebergs acaba indo para o Oceano Atlântico e, consequentemente, para todos os oceanos.


O gelo da Groenlândia é dos principais responsáveis pela elevação do nível do mar. No ano passado, em apenas 2 meses, esse gelo provocou uma elevação de 2,2 milímetros nos oceanos.


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