• Sandra Carvalho

Genocídio de Ruanda: a matança que durou 100 dias

Em 1994, os tutsis foram massacrados pelos hutus. Vítimas: pelo menos 800 mil.


Os esqueletos na igreja Ntrama: nem os hutus moderados foram poupados. | Foto: cc 2.0 Scott Chacon

A maior tragédia da história de Ruanda começou no dia 6 de abril de 1994, quando o avião do presidente hutu Juvenal Habyarimana foi abatido perto da capital, Kigali.


Poucas horas depois, os hutus, maioria étnica no país, atacaram os tutsis, suspeitos do atentado. Na linha de frente do massacre, tropas do governo e da truculenta milícia hutu, a Interahmwe.


Na área rural, eles convocaram os hutus a usar facões e paus para exterminar os tutsis. Estupros das mulheres tutsis se tornaram comuns, e aceleraram a disseminação da aids.


O mundo assistiu impassível ao genocídio de 800 mil a 1 milhão de pessoas. Quase ninguém estava prestando muita atenção ao que acontecia naquele pequeno país pobre e conflagrado no meio da África.


Nem só tutsis foram mortos. Os hutus moderados, que se opuseram ao genocídio, também foram assassinados. Os tvás, pigmeus, considerados aliados dos tutsis, também foram atacados.


O genocídio só terminou quando a Força Patriótica de Ruanda chegou ao poder em julho e instalou o general tutsi Paul Kagame no comando do país. Kagame impôs a paz étnica e um governo linha dura. Governa até hoje com mão de ferro e direito a se reeleger até 2034.


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